A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um apelo nesta quarta-feira (27) por um cessar-fogo imediato no leste da República Democrática do Congo (RDC), diante do agravamento do surto de Ebola na região. Segundo a entidade, os conflitos armados têm provocado deslocamentos em massa e dificultado ações de contenção da doença, ampliando o risco de transmissão em abrigos superlotados.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a combinação entre violência e crise sanitária ameaça comprometer a resposta humanitária. Em publicação nas redes sociais, ele declarou que a província de Ituri enfrenta um surto que já supera a capacidade operacional das equipes médicas e reforçou o pedido para que grupos armados interrompam os confrontos.
A cepa Bundibugyo do Ebola, identificada no atual surto, não possui vacina ou tratamento aprovado até o momento. Neste mês, a OMS classificou a situação como emergência internacional de saúde pública, após o aumento acelerado de infecções.
De acordo com dados das autoridades sanitárias, mais de 900 casos suspeitos e mais de 200 mortes sob investigação foram registrados em três províncias do leste congolês. Entre elas estão Kivu do Norte, área sob influência do grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, e Kivu do Sul, controlada pela aliança rebelde Alliance Fleuve Congo.
A organização humanitária Save the Children alertou que cerca de um quarto das mortes confirmadas envolve crianças, e defendeu o reforço imediato das medidas de prevenção e controle de infecções.
Mesmo com iniciativas diplomáticas lideradas pelos Estados Unidos e outros países para mediar o conflito, os confrontos persistem na região. Milhões de pessoas permanecem deslocadas, agravando a pressão sobre estruturas de acolhimento. Em Uganda, país vizinho à RDC, centros de recepção de refugiados operam acima da capacidade, segundo informações da agência da ONU para refugiados.
Equipes humanitárias seguem mobilizadas no leste do Congo com envio de profissionais e suprimentos médicos. No entanto, ataques contra trabalhadores da saúde e episódios de desconfiança por parte da população local têm dificultado a atuação no combate ao surto. Autoridades informaram ainda que aproximadamente US$ 500 milhões foram prometidos por doadores internacionais, embora parte significativa dos recursos ainda não tenha sido liberada.

