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Caso Dark Horse: Flávio Bolsonaro diz que operação busca influenciar eleições de 2026

Por Stephanie Paixao • 2 de junho de 2026

Operação Wi-Fi Livre expõe conexões entre contratos públicos, produção audiovisual e disputa política

Após a realização da “Operação Wi-Fi Livre” pela Polícia Civil de São Paulo em 1º de junho de 2026, o senador Flávio Bolsonaro classificou a investigação como uma “perseguição da parte do Estado brasileiro para tentar interferir no resultado das eleições”. Em entrevista à rádio Itatiaia, o parlamentar afirmou que “não tem nada de errado” nos contratos investigados e que a prefeitura de São Paulo já teria apresentado todas as explicações necessárias.

Flávio utilizou o termo “pescaria probatória” para descrever a ação policial, alegando que a operação utilizou uma justificativa “muito frágil” com o objetivo deliberado de “atrapalhar esse filme” (Dark Horse). Apesar de sustentar a tese de perseguição política, o senador declarou em um evento no Rio de Janeiro que, tecnicamente, “a operação não tem nada a ver com o filme”.

Além da esfera estadual, o caso também repercute no Supremo Tribunal Federal, onde há pedidos para incluir Flávio e Jair Bolsonaro em inquéritos que apuram se o financiamento do filme possui conexões com tentativas de coação no processo e outras irregularidades.

A Operação Wi-Fi Livre

A investigação teve origem em denúncias encaminhadas inicialmente ao Ministério Público, que apontavam possíveis irregularidades em contratos relacionados ao programa WiFi Livre SP, iniciativa criada para ampliar o acesso gratuito à internet em regiões periféricas da capital paulista.

A operação foi conduzida pela Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração (DICCA), ligada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), responsável pela gestão do programa.

O principal foco da apuração é o Contrato nº 01/SMIT/2024, firmado com o Instituto Conhecer Brasil para a implantação e manutenção de pontos de acesso gratuito à internet.

Contrato sob investigação

Segundo documentos analisados pelos investigadores, o contrato passou por alterações financeiras relevantes ao longo de sua execução.

Resumo do contrato

IndicadorValor InicialSituação Investigada
Valor global do contratoR$ 108 milhõesR$ 157,1 milhões após aditivos
Meta de instalação5.000 pontos de acessoCerca de 3.200 pontos instalados
Custo mensal por pontoR$ 1.800Valor considerado acima de referências utilizadas pela Prodam
Pagamentos antecipadosNão previstoAproximadamente R$ 26 milhões analisados pelos investigadores
Notas fiscais sob análiseR$ 16,5 milhões em documentos investigados

Além da ampliação do valor contratual, investigadores analisam possíveis divergências entre os pagamentos realizados e a execução efetiva dos serviços contratados.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) havia apontado questionamentos técnicos durante o processo licitatório e recomendado medidas cautelares antes da continuidade do certame.

Quem é Karina Ferreira da Gama

No centro da investigação está a empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da produtora Go UP Entertainment.

Sua trajetória profissional começou em projetos ligados ao terceiro setor e produção cultural. Ao longo dos últimos anos, ampliou significativamente sua atuação empresarial, passando a administrar entidades e empresas ligadas a eventos, produção audiovisual, consultoria e projetos educacionais.

A investigação busca compreender a relação entre os contratos públicos firmados por organizações vinculadas à empresária e o crescimento de sua estrutura empresarial.

A principal linha de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público é que o contrato de Wi-Fi do ICB serviu de ponte para o financiamento do filme.

Desvio de Finalidade: Suspeita-se que parte do valor pago pela prefeitura ao ICB tenha sido desviada para a produtora Go UP para custear Dark Horse, obra orçada em R$ 134 milhões (o maior orçamento do cinema nacional).

Negociação de Direitos: Karina Ferreira da Gama e o Deputado Mário Frias teriam oferecido até R$ 500 mil pelo acesso aos direitos da história de Jair Bolsonaro para o filme,com uma minuta prevendo o pagamento de pelo menos R$ 125 mil diretamente ao ex-presidente.

Entidades e recursos públicos analisados

Contratos e repasses citados nas investigações

EntidadeObjetoÓrgão RelacionadoValor
Instituto Conhecer BrasilPrograma WiFi Livre SPPrefeitura de São PauloR$ 157,1 milhões
Instituto Conhecer BrasilPrograma Steam MakerGoverno do Distrito FederalR$ 5 milhões
Academia Nacional de CulturaEmendas parlamentaresCâmara dos DeputadosR$ 2,6 milhões
Instituto Conhecer BrasilEmendas federaisOrçamento da UniãoR$ 2 milhões

Parte desses contratos encontra-se sob análise de órgãos de controle e auditorias administrativas.

A ligação com o filme Dark Horse

A repercussão nacional do caso ocorreu após a identificação de vínculos entre Karina Ferreira da Gama e a produção do filme Dark Horse.

O longa-metragem foi concebido como uma cinebiografia de Jair Bolsonaro e tem direção do cineasta americano Cyrus Nowrasteh. O roteiro foi desenvolvido a partir de um argumento elaborado pelo ex-secretário especial de Cultura Mario Frias.

Produzido em inglês e voltado para distribuição internacional, o projeto busca retratar a trajetória política do ex-presidente, com foco especial nas eleições de 2018 e no atentado sofrido durante a campanha eleitoral.

A produção também passou a enfrentar questionamentos administrativos relacionados à documentação, registros regulatórios e contratação de profissionais envolvidos no projeto.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.