O governo dos Estados Unidos concluiu nesta segunda-feira (1º) uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Horas após o anúncio, o presidente Donald Trump publicou em sua rede social uma foto com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), registrada durante encontro na Casa Branca na semana passada.
Tarifa Atingiria 21% das Exportações Brasileiras aos EUA
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) prevê a sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais. O impacto potencial atinge cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 8,4 bilhões por ano.
O Brasil exporta cerca de US$ 40 bilhões anuais para os Estados Unidos. O impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro seria limitado, entre 0,42% e 0,63%, mas setores de maior valor agregado, como aço, calçados e autopeças, seriam os mais afetados.
Isenções Incluem Carnes, Café, Aeronaves e Terras Raras
Uma lista divulgada pelo USTR detalha os produtos que ficariam de fora da tarifa de 25%. Entre as isenções estão:
Segundo o USTR, as isenções abrangem itens cuja tributação poderia provocar interrupções econômicas nos EUA ou que não podem ser produzidos em quantidade suficiente internamente.

Investigação dos EUA Cita Pix, Pirataria e Desmatamento
A investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 concluiu que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio americano. Entre os pontos criticados pelo USTR estão:
· PIX: o Banco Central do Brasil favoreceria o sistema de pagamentos instantâneos em detrimento de provedores americanos
· Regulação de redes sociais: tribunais brasileiros teriam emitido ordens secretas para remoção de conteúdo político
· Tarifas preferenciais: acordos comerciais do Brasil com México e Índia concederiam vantagens não oferecidas aos EUA
· Desmatamento ilegal: suposta falha na aplicação das leis ambientais
· Propriedade intelectual: demora na análise de patentes no INPI (até 109 meses) e combate insuficiente à pirataria
· Corrupção: anulação de processos da Operação Lava Jato e queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção

“Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”, escreveu Trump, na Truth Social, a sua rede social.
Lula Responsabiliza Flávio Bolsonaro por Tarifaço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou a família Bolsonaro pela proposta de taxação, relacionando-a à visita de Flávio à Casa Branca no dia 26 de maio.
Horas após o anúncio das tarifas, Trump publicou em sua rede social Truth Social a foto do encontro com o senador. “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”, escreveu Trump.
Flávio Bolsonaro afirmou, em entrevista à Rádio Itatiaia, que pediu expressamente a Trump, ao vice-presidente JD Vance e ao secretário de Estado Marco Rubio que não taxassem as empresas brasileiras. “Nas três reuniões que nós tivemos, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras”, disse o senador.
Cronograma Prevê Audiências e Decisão Final em 15 de Julho
Antes da aplicação definitiva das tarifas, o governo americano estabeleceu um cronograma de consultas públicas:

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que os países continuam tendo “divergências substanciais” sobre os temas identificados, mas que espera continuar o diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal.
Economistas Veem Espaço para Negociação, mas Reversão Improvável
Especialistas ouvidos avaliam que o espaço para negociação continua aberto, embora uma reversão completa do tarifaço seja considerada improvável. A quantidade de exceções já indicaria uma preocupação dos próprios Estados Unidos com os impactos econômicos internos da medida.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil manterá diálogo com os EUA para tentar reverter ou reduzir o impacto das tarifas. O governo brasileiro tem até 22 de junho para apresentar seus argumentos formais.
O governo brasileiro deve apresentar sua defesa formal ao USTR até 22 de junho. O presidente Lula pode buscar uma nova conversa com Trump antes da decisão final, prevista para 15 de julho. A tarifa global de 10% imposta por Trump, que expira em 24 de julho, continua em vigor paralelamente a esta nova investigação.

