Economia

IFI identifica “deterioração perceptível” de estatais federais e alerta para aumento do risco fiscal para a União

<p>A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, avaliou nesta quinta-feira (23) que indicadores financeiros confirmam uma “deterioração perceptível” da…</p>

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, avaliou nesta quinta-feira (23) que indicadores financeiros confirmam uma “deterioração perceptível” da saúde financeira de “parte relevante” das empresas estatais federais, tanto dependentes quanto não dependentes do Tesouro Nacional. O diagnóstico, divulgado no Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho, acende um alerta para o aumento do risco fiscal para a União.

Segundo a IFI, a piora é evidenciada por patrimônio líquido negativo, fluxo de caixa operacional deficitário e margens operacionais negativas em empresas como Correios, Emgepron, Infraero e Codevasf. A deterioração, embora não uniforme, segue padrões que merecem atenção na gestão fiscal.

Correios: rombo bilionário e pior margem operacional

A Dívida dos Correios já está na casa dos Bilhões – Foto Divulgação

Os Correios são o caso mais emblemático. A estatal registrou fluxo de caixa operacional negativo de R$ 692 milhões em 2025, após déficit de R$ 2,4 bilhões no ano anterior. A margem operacional da empresa encerrou 2025 em -42,9%, o pior nível desde o início da deterioração do indicador, em 2022. O déficit da estatal triplicou em 2025, atingindo R$ 8,5 bilhões.

O próprio governo admite, no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que a situação econômico-financeira dos Correios pode continuar se agravando, a despeito de um plano de reestruturação em vigor, que inclui redução de custos, saneamento de planos de previdência, programas de demissão voluntária e venda de imóveis ociosos. A empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões em 2025 com garantia da União, e o CMN autorizou nova captação de até R$ 8 bilhões.

Outras estatais em situação crítica

A Infraero apresentou fluxo de caixa operacional negativo de R$ 375,4 milhões, piora de R$ 207,9 milhões ante 2024, e margem operacional negativa de 10,5% em 2025. A Emgepron também permaneceu no vermelho, com margem operacional negativa de 24,8% em 2025.

A Infraero opera em 23 aeroportos regionais

Entre as estatais dependentes, a IFI destaca Codevasf, CBTU, Embrapa, HCPA e EBSERH como empresas cuja trajetória financeira se distancia do padrão observado antes de 2018. Para essas empresas, o risco central não é de insolvência, já que dependem de subvenções do Tesouro, mas sim o descompasso persistente entre despesas e repasses, que tende a gerar pressão por suplementações orçamentárias ou aportes extraordinários

Riscos para o Tesouro e projeções até 2030

A deterioração das estatais eleva o risco fiscal de duas formas: pela possibilidade de aportes e suplementações orçamentárias às dependentes e pela fragilização da capacidade de distribuição de dividendos pelas não dependentes, além da eventual necessidade de a União honrar garantias de empréstimos contratados pelas empresas.

O resultado primário das estatais federais vem se deteriorando de forma contínua: depois de registrar superávit em 2022, o conjunto das empresas passou a apresentar déficit de 0,02% do PIB em 2023, de 0,07% em 2024 e de 0,04% em 2025. Considerando os dados acumulados em 12 meses até maio de 2026, o déficit chegou a 0,07% do PIB.

O próprio governo, na LDO de 2027, projeta que as estatais federais continuarão no vermelho até 2030, com déficit estimado de R$ 6,75 bilhões para 2026 e R$ 7,55 bilhões para 2027.

Redes sociais
Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

Deixe uma resposta