Operação policial no Vidigal deixa turistas ilhados e fecha avenida Niemeyer após confronto com criminosos no Rio.
Crédito: Reprodução/ TV Globo
Na madrugada desta segunda-feira, 20 de abril, centenas de turistas subiram o Morro Dois Irmãos com um objetivo simples: presenciar o amanhecer sobre as praias de Ipanema e Leblon. O que deveria ser um momento de contemplação se transformou em horas de tensão, desespero e pânico quando helicópteros da Polícia Civil começaram a sobrevoar a região em baixa altitude e disparos ecoaram pela comunidade do Vidigal
Aproximadamente 200 turistas ficaram retidos no alto do morro, impedidos de descer por um período que variou entre duas e três horas, enquanto a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil conduzia uma operação contra lideranças da facção criminosa Comando Vermelho

Vista do bairro do Vidigal.
Sergio Moraes / REUTERS
O Alvo da Operação
A ação policial tinha um objetivo específico: localizar e capturar Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como “Dadá”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Bahia. Segundo as autoridades, o traficante estaria escondido na comunidade do Vidigal, protegido por criminosos locais.
A operação resultou em prisões significativas. Dois homens foram presos em flagrante e uma mulher foi detida em cumprimento de mandado judicial. As forças de segurança também apreenderam um fuzil, uma espingarda calibre 12, uma pistola com numeração raspada, além de grande quantidade de drogas, carregadores de fuzil, rádios transmissores, roupas camufladas e telefones celulares
O Confronto Armado
A Polícia Civil informou que os agentes foram recebidos a tiros logo na entrada da comunidade, com traficantes abrindo fogo e, deliberadamente, colocando em risco moradores e frequentadores da região. Para dificultar o avanço das forças de segurança, criminosos montaram barricadas utilizando caçambas de lixo incendiadas, levando à interdição total da Avenida Niemeyer, uma das principais vias que conectam bairros estratégicos da Zona Sul.
A intensidade do confronto foi tal que o Centro de Operações do Rio (COR) manteve a via expressa bloqueada até que a situação fosse considerada estabilizada e os obstáculos removidos. Imagens registradas por celulares mostram o momento em que o helicóptero passava sobre o local onde os turistas estavam, em uma cena que evidencia a proximidade do conflito armado com os visitantes.
Vozes do Desespero
Os relatos de quem vivenciou o momento revelam o impacto emocional do episódio. Débora Moraes, turista de 28 anos oriunda de São Paulo, descreveu à agência AFP o que sentiu durante a operação:
“Estávamos no meio dos tiros, o helicóptero da polícia passava assim por cima da gente e dava muito desespero. Teve gente que desmaiou”.
Ariane Sampaio Moura, também de São Paulo, estava hospedada na comunidade com sua filha desde o sábado anterior. Ela acordou às 5h30 da manhã com o barulho ensurdecedor de helicópteros e disparos. O susto foi tão intenso que ela decidiu abandonar a hospedagem e buscar acomodação em outra área da cidade. Em entrevista à AFP, a mulher de 41 anos expressou sua frustração:
“A gente está saindo agora com dor no coração porque queria ficar, queria aproveitar o restante dos dias, mas o melhor agora é sair mesmo”.
O Impacto Turístico
A questão da nacionalidade dos turistas afetados revela a dimensão internacional do incidente. Segundo Renan Monteiro, responsável pela operadora Na Favela Turismo, que coordenava o grupo que ficou retido, aproximadamente 70% dos visitantes eram estrangeiros. O jornal português Público destacou que pelo menos duas cidadãs portuguesas estavam entre os retido.
Monteiro expressou preocupação com o impacto na imagem internacional do Rio de Janeiro. Em declarações à AFP, o guia turístico lamentou que:
“Sempre que ocorre uma operação na favela, isso é divulgado no mundo inteiro, o que impacta diretamente aqui no resultado que a gente vem obtendo com o turismo”.
Essa preocupação é particularmente relevante considerando que, em 2025, o Rio de Janeiro registrou o recorde histórico de 2,1 milhões de visitantes internacionais. Episódios como este, amplamente divulgados pela imprensa internacional, podem afetar as projeções de turismo para os próximos períodos.
Cronologia do Evento
5h30 da manhã: Turistas começam a acordar com o som de helicópteros e disparos. Alguns hospedados na comunidade, como Ariane Sampaio Moura, são despertados abruptamente.
Manhã de segunda-feira (20 de abril): A Polícia Civil deflagra a operação contra lideranças do Comando Vermelho. Criminosos abrem fogo contra os agentes.
Durante a operação: Aproximadamente 200 turistas ficam retidos no alto do Morro Dois Irmãos. Barricadas são montadas com caçambas de lixo incendiadas. A Avenida Niemeyer é interditada.
Entre 2 a 3 horas após o início: A situação é estabilizada. Turistas recebem autorização para descer em segurança.
Resultado final: 3 suspeitos detidos, nenhum ferido entre os turistas, grande quantidade de armamento e drogas apreendidas.

Desfecho e Reflexões
A operação foi concluída sem o registro de feridos entre os turistas. Após as autoridades considerarem a situação estabilizada, os visitantes receberam autorização para descer o morro em segurança [1] [2]. No entanto, as marcas emocionais do episódio permanecerão com muitos deles.
O caso levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre operações de segurança pública necessárias e a proteção de civis e turistas em áreas que combinam vulnerabilidade social com importância turística. A repercussão internacional do incidente, amplamente coberta pela BBC, CNN e outros veículos de mídia global, evidencia como episódios locais de violência urbana no Rio de Janeiro rapidamente ganham projeção mundial, impactando a percepção internacional da cidade como destino turístico.











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