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“Super El Niño” pode chegar ao Brasil no segundo semestre de 2026 com secas e chuvas extremas

Por Luiz Gomes • 10 de junho de 2026

O fenômeno climático El Niño tem 61% de probabilidade de se formar entre maio e julho de 2026, com possibilidade de ser classificado como “muito forte” ou “super”. As projeções indicam impactos opostos no Brasil: enquanto as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar secas severas, o Sul se prepara para chuvas torrenciais e risco de enchentes. O alerta foi feito por meteorologistas e pelo ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.


Fenômeno pode ser classificado como “Super El Niño”, com aquecimento acima de 2°C

O El Niño é um fenômeno natural que causa o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial em pelo menos 0,5°C por meses consecutivos. O último evento ocorreu entre 2023 e 2024. Agora, após um período de La Niña (resfriamento das águas) em 2025, os centros de previsão apontam para uma nova transição.

O Climate Prediction Center, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), indica que a fase neutra atual deve persistir até abril ou junho (80% de probabilidade). Depois disso, há 61% de chance de o El Niño surgir entre maio e julho, persistindo até pelo menos o final de 2026.

O NOAA também aponta que este pode ser um El Niñoforte, com anomalias de vento que intensificam os impactos. O “Super El Niño” é um evento raro, caracterizado por um aquecimento superior a 2°C acima da média, suficiente para alterar os padrões climáticos em escala global. O último ocorreu entre 2015 e 2016, quando a temperatura do Pacífico chegou a 2,8°C acima da média.

Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem enfrentar secas severas e risco de incêndios

Anomalia de temperatura da superfície do mar na primeira semana de junho.


O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, alertou que o El Niño deste ano será agravado pelo aquecimento global, o que deve trazer seca mais severa e aumentar o risco de incêndios florestais. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão secas mais intensas e prolongadas no segundo semestre, afetando a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado e o Pantanal.

O aquecimento anormal das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica, criando um bloqueio que impede a formação de nuvens de chuva sobre o Sertão e a Amazônia. O impacto recai sobre a agricultura de sequeiro, como as lavouras de milho e feijão, e sobre os reservatórios de água, que sofrem com a evaporação acelerada pelas altas temperaturas.

Para combater o cenário, o governo federal prepara a maior quantidade de brigadistas da história: mais de 4,6 mil profissionais. O ministro informou que quase R$ 600 milhões foram repassados aos corpos de bombeiros estaduais, com recursos do Fundo Amazônia e para regiões do Cerrado e Pantanal. Milhares de equipamentos, como retroescavadeiras, abafadores e EPIs, foram distribuídos para brigadas locais, voluntárias, indígenas e quilombolas.

Capobianco fez um apelo para que a população não utilize fogo na limpeza de terrenos. “O fogo muitas vezes é usado no Brasil para a queima de lixo, para limpar um pasto, para abrir um terreno. O problema é que na situação que nós vamos enfrentar isso se torna incontrolável, podendo adquirir a potência de um grande incêndio, às vezes de quilômetros de extensão.”

Ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco


Sul deve ter chuvas torrenciais, enchentes e ciclones extratropicais

No extremo oposto, a Região Sul deve lidar com um cenário de excesso de umidade. O El Niño intensifica as frentes frias e bloqueia a circulação, resultando em chuvas significativamente acima da média. Modelos climáticos apontam para o risco de tempestades frequentes, enchentes e ciclones extratropicais.

A situação é considerada crítica especialmente para o Rio Grande do Sul. O Estado ainda lida com as consequências da catástrofe climática de 2024, o que eleva a vulnerabilidade do solo e das infraestruturas urbanas diante de novos volumes extremos de precipitação. Paraná e Santa Catarina também estão na rota das chuvas intensas.

Sudeste pode ter veranicos e contrastes; novo alerta deve sair nos próximos meses

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os efeitos podem ser mistos. Parte das projeções alerta para a elevação das temperaturas médias e a ocorrência de “veranicos” — períodos secos e muito quentes no meio da estação chuvosa —, o que pode desregular o plantio de safras. Ao mesmo tempo, áreas do Sudeste também podem registrar volumes de chuva acima da média, aumentando o risco de deslizamentos em encostas.

Cada centro de previsão possui estimativas diferentes sobre a intensidade do fenômeno. É difícil prever a intensidade com muita antecedência. Nos próximos meses, novas atualizações devem refinar as previsões sobre a chegada do El Niño.

O governo federal já mobilizou mais de 4,6 mil brigadistas e repassou R$ 600 milhões para corpos de bombeiros estaduais. A Lei do Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024, traz a responsabilidade de prevenir e combater incêndios para toda a sociedade, incluindo proprietários rurais, que devem montar brigadas e ter equipamentos de prevenção. Novos boletins do NOAA e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) devem ser divulgados nas próximas semanas para refinar a previsão de intensidade do fenômeno.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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