Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã nesta terça-feira (9) em resposta à derrubada de um helicóptero militar americano sobre o Estreito de Ormuz no dia anterior. O bombardeio americano atingiu sistemas de defesa aérea e radares iranianos, segundo informações oficiais. Em contrapartida, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado ataques contra bases americanas no Bahrein e na Jordânia.
Helicóptero Apache foi abatido por drone iraniano, apontam investigações
O helicóptero Apache AH-64 do Exército dos EUA operava na região do Estreito de Ormuz quando caiu por volta das 18h30 de segunda-feira (8). Os dois tripulantes foram resgatados em condição estável cerca de duas horas depois, por um drone marítimo não tripulado.
Duas autoridades americanas afirmaram que o helicóptero foi derrubado por um drone iraniano do modelo Shahed. No entanto, não está claro se o ataque foi intencional, segundo uma das fontes. O presidente Donald Trump foi informado pelas Forças Armadas de que o Irã abateu a aeronave.
“Acabei de ser informado por nossas Forças Armadas que, na noite passada, os iranianos abateram um de nossos sofisticados helicópteros Apache enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz. Havia dois pilotos envolvidos, ambos estão seguros e ilesos”, publicou Trump na rede TruthSocial. “Mesmo assim, os Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque.”
O AH-64 Apache é o principal helicóptero de ataque do Exército dos EUA, considerado um dos mais avançados do mundo. Ele pode voar a até 365 km/h e carregar até 22 mísseis de precisão. Este foi o primeiro helicóptero Apache perdido pelos EUA durante a guerra no Oriente Médio, que perdura desde 28 de fevereiro.

Helicóptero Boeing AH-64 Apache dos Estados Unidos. — Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Bombardeio americano atingiu defesas aéreas e radares no Estreito de Ormuz
As forças do Comando Central dos EUA (Centcom) iniciaram os ataques às 17h (horário da costa leste dos EUA; 18h em Brasília) desta terça-feira. Em comunicado, o Centcom classificou a operação como “uma resposta proporcional à agressão injustificada do Irã”.
Segundo o site Axios, os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea iranianos, estações de controle e radares que monitoravam o Estreito de Ormuz — via estratégica para o comércio mundial de petróleo, fechada pelo Irã no início da guerra. Explosões foram registradas ao longo da costa do Golfo Pérsico, incluindo nas cidades de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik.
Em entrevista à ABC News, Trump afirmou que a resposta foi “muito forte, muito poderosa”. “Esta é uma resposta ao que eles fizeram com nosso helicóptero ontem à noite, e acredito que a resposta deve ser muito forte, muito poderosa — e é isso que ela é”, disse o presidente.
Em Washington, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, disse que estava com Trump quando o presidente decidiu retomar os ataques. “Lamentamos que isso tenha se tornado necessário”, afirmou o líder republicano.
Irã responde com ataques a bases americanas e ameaça escalada
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado ataques contra 21 alvos em bases americanas na região — uma no Bahrein e outra na Jordânia. O exército do Kuwait disse ter interceptado um ataque. Autoridades americanas ainda não comentaram as notícias sobre danos às suas bases.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ameaçou os Estados Unidos após os ataques. “Nenhum ataque ou ameaça ficará sem resposta”, escreveu no X. “Deixem nossa região, se quiserem estar seguros.” O ministro afirmou ainda que forças estrangeiras próximas ao território iraniano enfrentam “risco constante” e que a melhor solução é que deixem a região.
O principal negociador iraniano nas conversas de paz, Mohammad Baqer Qalibaf, também recorreu às redes sociais. “Preferimos a linguagem da diplomacia, mas falamos outras línguas com muito mais fluência. Quebrem seus compromissos, e recorreremos àquilo que sabemos fazer melhor”, escreveu.
Ataques ocorrem em meio a negociações de paz e cessar-fogo frágil
Os bombardeios ocorrem em um momento delicado para as negociações entre Washington e Teerã. Na segunda-feira (8), Trump havia dito que as tratativas para um acordo de paz estavam “na fase final” e que o Estreito de Ormuz seria reaberto imediatamente depois. “Estamos nos momentos finais do que será um acordo muito, muito bom”, afirmou o presidente a jornalistas.
No entanto, uma autoridade dos EUA afirmou à CNN que o ataque desta terça foi um “aviso” ao Irã e que o governo Trump acredita que isso prejudicará as negociações. A trégua na guerra já havia sido violada por Israel e Irã nos dias anteriores, em uma troca de bombardeios criticada por Trump.
O analista Guga Chacra, da GloboNews, afirmou que o bombardeio dos EUA foi “uma resposta calibrada e proporcional” à derrubada do helicóptero.
Ainda não se sabe como os ataques impactarão o frágil cessar-fogo em vigor desde abril nem as negociações pelo fim do conflito. O Irã afirmou que responderá a qualquer nova agressão. Os EUA dizem que buscam uma resolução do conflito, mas mantêm as operações militares na região. A situação no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, continua indefinida. Os preços do petróleo voltaram a subir com a nova escalada.

