O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que o Brasil está “politicamente perigoso” e “um pouco difícil”, em entrevista coletiva durante a cúpula do G7 em Evian, na França. Trump mencionou a condenação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo STF, confundindo-o com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu as declarações em entrevista coletiva em Genebra. “Trump conhece pouco o Brasil. Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele, só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas em suas soberanias. Não se meta nas eleições do Brasil”, afirmou Lula.
Trump confunde Eduardo e Flávio Bolsonaro
Questionado sobre possíveis conversas com Lula a respeito de tarifas ou da classificação do PCC e do CV como terroristas, Trump respondeu que passou “bastante tempo” com o presidente brasileiro, mas preferiu mencionar os Bolsonaro.
“Ouvi dizer que prenderam alguém que estava concorrendo a um cargo hoje. Acabei de me despedir dele [de Lula] e ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Ou prenderam, ou querem prendê-lo”, disse Trump, referindo-se à condenação de Eduardo Bolsonaro na terça-feira (16) por coação no curso do processo.
O senador Flávio Bolsonaro é o principal rival de Lula nas pesquisas para a eleição presidencial de outubro, segundo a BBC News Brasil.
Lula: “Trump age como imperador”
Em Genebra, Lula foi informado das declarações de Trump. O presidente brasileiro afirmou que os EUA “poderiam aprender com o Brasil sobre eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo com um sistema de urna eletrônica como o nosso”.
“Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. Gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, declarou Lula.

Sobre a ausência de uma reunião bilateral com Trump, Lula disse que não havia necessidade, já que os países negociam em nível diplomático. Ele reiterou que chamou Trump de “imperador” por ter feito “uma coisa desaforada pro Brasil” com as tarifas.
G7 ocorre em meio a tensões diplomáticas
A declaração de Trump ocorre em momento de novo tensionamento na relação entre os dois países. Os EUA avaliam a aplicação de uma taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras, e o governo americano ainda recebe consultas públicas até 1º de julho.
Além disso, a Casa Branca oficializou, em 5 de junho, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras — medida considerada pelo governo Lula como sua maior derrota diplomática na relação com os EUA.
Trump afirmou ainda que as eleições americanas são “totalmente fraudadas” e “manipuladas”. “Eles [brasileiros] jogam duro. Mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos”, disse.

