O estado do Novo México entrou com uma ação judicial nesta quarta-feira (5) contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para obter acesso a arquivos não censurados sobre o falecido financista Jeffrey Epstein. A administração estadual, comandada por democratas, alega que a agência federal está dificultando a investigação sobre possíveis crimes cometidos no rancho de Epstein no estado ao se recusar a fornecer os documentos na íntegra.
O processo, apresentado pelo procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, também cita o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche. O estado pede que a Justiça obrigue o governo federal a entregar os arquivos solicitados, que permitiriam identificar visitantes e funcionários do Zorro Ranch, propriedade de Epstein, que supostamente participaram de crimes ou testemunharam atividades ilegais.
Estado acusa governo federal de obstruir investigação
As autoridades do Novo México reabriram a investigação sobre Epstein em fevereiro e solicitaram os arquivos não editados do Departamento de Justiça para avançar nas apurações. Segundo o estado, a falta dos documentos completos dificulta a identificação de pessoas que possam ser responsabilizadas criminalmente.
“A inação do governo federal não apenas atrasa a investigação; ela prolonga e agrava o sofrimento das sobreviventes”, afirma o processo, que pede que o Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia obrigue a liberação dos arquivos.
O Departamento de Justiça dos EUA afirmou que forneceu alguns arquivos, mas foi impedido de disponibilizar outros materiais devido a proteções de privacidade. Segundo a pasta, nem a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein nem as ordens judiciais de proteção exigem ou permitem a divulgação de informações que identifiquem as vítimas. “O Novo México não apresentou nenhuma base legal para justificar tais divulgações abrangentes”, disse um porta-voz em comunicado.
Investigação enfrenta obstáculos e comissão identifica vítimas
Após mais de cinco meses de investigação, Torrez ainda não anunciou nenhum resultado. Em entrevista, afirmou que o estado dedica uma quantidade “substancial” de recursos à apuração, mas se recusou a fornecer mais informações. “Ainda não apresentamos acusação contra ninguém porque precisamos examinar esses arquivos antes de fazê-lo”, disse.
Também nesta quarta, parlamentares do Novo México divulgaram um relatório preliminar da chamada “Comissão da Verdade”, uma apuração independente sobre Epstein. As evidências indicam que Epstein abusou de pelo menos cinco mulheres e meninas no Zorro Ranch entre 1996 e 2012. A comissão identificou pelo menos 30 outras pessoas que possivelmente foram vítimas de abuso no estado. Algumas podem ser testemunhas, outras podem ter facilitado os abusos, e algumas podem ter participado das duas condições.
A investigação estadual enfrenta obstáculos consideráveis, incluindo as décadas transcorridas desde os supostos crimes, o desaparecimento de provas após a venda do rancho em 2023 e possíveis questões de jurisdição. O processo amplia a pressão sobre o Departamento de Justiça em torno da divulgação dos arquivos, uma questão que tem atormentado o governo Trump desde que a pasta informou ao Congresso ter identificado mais de 6 milhões de páginas potencialmente relacionadas às investigações.

