Saída de dois dos principais assessores da vereadora do PL ocorreu dias após a divulgação de que seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral cresceu mais de 226% em dois anos. Parlamentar nega relação entre os fatos e afirma que ambos deixaram o gabinete por motivos pessoais.
O chefe de gabinete Lucas Silveira e a coordenadora Giovanna Najar pediram demissão da equipe da vereadora paulistana Zoe Martínez (PL). As exonerações foram publicadas no Diário Oficial do Município apenas dois dias depois da repercussão sobre o expressivo aumento do patrimônio declarado pela parlamentar à Justiça Eleitoral, o que alimentou especulações nos bastidores da Câmara Municipal de São Paulo.
A discussão começou após a divulgação da declaração de bens apresentada por Zoe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026. Em 2024, quando concorreu ao cargo de vereadora, ela informou possuir R$ 646,3 mil em patrimônio. Dois anos depois, o valor declarado passou para R$ 2,1 milhões, um crescimento de 226,16%, equivalente a aproximadamente R$ 1,46 milhão. A maior parte dos bens informados atualmente está concentrada em fundos de investimento, incluindo Fundos de Longo Prazo e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que somam cerca de R$ 1,7 milhão.
Questionada sobre a evolução patrimonial, Zoe afirmou que o aumento não decorre da atividade parlamentar, mas dos rendimentos obtidos com uma aplicação financeira e de sua atuação como sócia de uma empresa de comunicação e marketing. Segundo a vereadora, todos os bens foram regularmente declarados à Justiça Eleitoral.
A coincidência entre a divulgação dos dados patrimoniais e a saída dos dois principais assessores gerou rumores de que teria ocorrido um desentendimento interno no gabinete. Nos corredores da Câmara Municipal, circulou a informação de que as demissões estariam ligadas à repercussão do caso, hipótese rejeitada pela parlamentar.
Ao Metrópoles, Zoe afirmou que Lucas Silveira recebeu uma oportunidade profissional em Brasília e decidiu retornar à cidade. Segundo ela, Giovanna Najar, que descreveu como sua “melhor amiga” e muito próxima de Silveira, optou por acompanhá-lo.
“Eles resolveram ir antes, como eu estou candidata a deputada federal, eles já vão ir antes. São pessoas de extrema confiança”, declarou a vereadora.
Ao ser questionada sobre qual seria a nova oportunidade profissional do ex-chefe de gabinete, Zoe respondeu:
“Não cabe a mim comentar sobre a vida pessoal dele.”
A vereadora também negou que as exonerações tenham qualquer relação com a repercussão de seu patrimônio ou com supostas divergências internas. Até o momento, nem Lucas Silveira nem Giovanna Najar se manifestaram publicamente sobre os motivos da saída.
Além da repercussão patrimonial, Zoe Martínez também ganhou destaque recentemente por disputar espaço político dentro do PL na capital paulista. Aliados da vereadora possuem influência na Subprefeitura de Pinheiros, considerada uma das mais estratégicas e economicamente relevantes da cidade. No início do segundo mandato do prefeito Ricardo Nunes (MDB), a indicação para o comando da subprefeitura foi alvo de disputa entre Zoe e o vereador Lucas Pavanato (PL).

