A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula do G7 na França foi marcada por uma evidente distância protocolar e pelo acirramento diplomático com o mandatário norte-americano, Donald Trump. Durante o tradicional registro da “foto de família” do evento — que reúne as sete maiores economias do mundo e líderes convidados —, o distanciamento físico e a ausência de um cumprimento público inicial expuseram o clima de fricção que dita a atual relação bilateral entre Brasília e Washington.
Lula viajou à França com a comitiva brasileira com o objetivo central de abrir uma linha de diálogo direta para tentar reverter ou aliviar o novo pacote de tarifas de até 25% sugerido pelo governo Trump contra produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio e desdobramentos comerciais que miram até o funcionamento de plataformas de pagamentos no Brasil. Apesar dos esforços logísticos para consolidar uma agenda bilateral formal, as interações entre os dois chefes de Estado acabaram restritas a contatos rápidos de bastidores e a trocas de discursos em tom elevado.
Críticas na Tribuna e Bastidores Frios
A divergência de visões ficou nítida nas falas públicas do mandatário brasileiro. Nos fóruns da cúpula, Lula subiu o tom em defesa da altivez geopolítica e questionou diretamente políticas protecionistas e interferências em processos institucionais.
O petista reagiu formalmente a declarações recentes de Trump a respeito do cenário político interno do Brasil, rebatendo manifestações do americano envolvendo aliados políticos locais.
“Para mim, ele pode continuar gostando [da oposição]. Não tem nenhum problema”, declarou Lula. “Eu acho que ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem [com aliados], ele desconhece o Brasil”, emendou, enfatizando que os Estados Unidos não devem tentar intervir no processo soberano brasileiro.
Nos bastidores do hotel onde ocorreu o encontro, interlocutores relatam que Trump e Lula chegaram a se cruzar de forma breve em um corredor, momento em que o presidente americano dirigiu palavras curtas em inglês, como “How are you?” (Como vai você?) e “Good job” (Bom trabalho). Sem a presença imediata de um intérprete no instante da abordagem rápida, o presidente brasileiro respondeu apenas com um aceno formal de cabeça.
O Impasse das Tarifas
Até o encerramento das agendas oficiais do G7, os assessores econômicos e diplomatas do Itamaraty não conseguiram costurar um acordo prático ou uma declaração conjunta para suspender a sobretaxa comercial iminente promovida pelo escritório de comércio dos EUA (USTR).
O governo brasileiro avalia internamente que, apesar do desgaste explícito nas fotos oficiais e do atrito público, o posicionamento “firme” adotado por Lula na Europa serve como uma resposta estratégica voltada à política externa e à soberania econômica do país face à pressão internacional exercida pela Casa Branca.

