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Participação no faturamento cai de 22% para cerca de 8% após mudanças no mercado e avanço da concorrência no setor logístico.
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A receita dos Correios com encomendas internacionais caiu de 22% para cerca de 8% do faturamento entre 2023 e 2025, segundo o G1. A queda está ligada ao programa Remessa Conforme, conhecido como “taxa das blusinhas”, que alterou regras de importação e aumentou a concorrência no setor logístico. Com a abertura do mercado, empresas privadas passaram a disputar entregas antes concentradas na estatal. O volume de encomendas também diminuiu significativamente, impactando os resultados financeiros. O cenário reflete mudanças no comércio eletrônico internacional e impõe aos Correios o desafio de se adaptar a um ambiente mais competitivo.
Segundo o portal G1, a participação das receitas dos Correios com encomendas internacionais registrou uma queda significativa nos últimos anos, passando de 22% do faturamento em 2023 para cerca de 8% em 2025. A redução está associada a mudanças estruturais no setor, especialmente após a implementação do programa Remessa Conforme, do governo federal.
O programa alterou as regras para compras internacionais e ficou popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”. A medida introduziu tributação sobre produtos importados e também abriu espaço para maior concorrência no transporte e entrega dessas encomendas dentro do Brasil.
Queda expressiva na receita e no volume de encomendas
De acordo com dados financeiros divulgados pela estatal, o impacto da mudança foi direto no faturamento. Em 2024, os Correios registraram cerca de R$ 3,9 bilhões em receitas com encomendas internacionais, valor já inferior ao de 2023. Em 2025, a queda se intensificou, chegando a aproximadamente R$ 1,3 bilhão, representando uma redução de bilhões em apenas um ano.
A retração também se refletiu no volume de objetos transportados. Informações internas indicam uma queda expressiva no número de encomendas internacionais movimentadas pela empresa, com redução de mais de 100 milhões de pacotes em comparação entre períodos equivalentes.
Esse movimento aponta para uma perda de participação relevante no mercado, que anteriormente era dominado pelos Correios, especialmente no segmento de importações de baixo valor.
Fim do monopólio e aumento da concorrência
Antes das mudanças regulatórias, os Correios concentravam a maior parte da distribuição de encomendas internacionais no país. Com o novo modelo, empresas privadas passaram a atuar diretamente nesse mercado, ampliando a concorrência.
A abertura do setor permitiu que varejistas e operadores logísticos utilizassem outras alternativas de entrega, reduzindo a dependência da estatal. Como consequência, houve uma redistribuição da demanda e uma diminuição da fatia ocupada pelos Correios nesse segmento.
Além disso, o crescimento de marketplaces internacionais contribuiu para transformar a dinâmica do comércio eletrônico, exigindo maior adaptação das empresas de logística às novas demandas do consumidor.
Impacto financeiro e desafios operacionais
A própria empresa reconhece que a perda de participação no mercado evidenciou dificuldades de adaptação ao novo cenário competitivo. Relatórios internos apontam que a redução de receitas contribuiu para um ciclo de perdas financeiras, afetando a capacidade de geração de caixa e o cumprimento de obrigações.
A queda no volume de encomendas também impactou diretamente a operação logística, reduzindo a eficiência em escala e aumentando a pressão sobre os resultados da companhia.
Além disso, negociações com grandes clientes se tornaram mais sensíveis, já que esses contratos representam parcela significativa do faturamento. A perda desses parceiros intensifica ainda mais o desafio de recuperação da estatal.
Mudança no comportamento do mercado
O cenário reflete uma transformação mais ampla no comportamento do consumidor e na estrutura do comércio internacional. A popularização das compras em plataformas estrangeiras, aliada às mudanças tributárias e logísticas, alterou o fluxo de encomendas e a distribuição de receitas no setor.
Com isso, os Correios enfrentam o desafio de reposicionar suas estratégias em um ambiente mais competitivo e menos concentrado, no qual a eficiência operacional e a capacidade de adaptação se tornam fatores decisivos.
A redução da participação nas encomendas internacionais indica não apenas uma perda de mercado, mas também a necessidade de ajustes estruturais para acompanhar as mudanças no setor logístico e no comércio eletrônico global.
Fonte: G1















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