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Combustível barato ou contas em dia?

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No fim da semana passada, o governo federal enviou ao Congresso um projeto para tentar criar um "colchão" contra a volatilidade do petróleo.

Com a guerra pressionando o preço internacional do petróleo, o Brasil tende a arrecadar mais com royalties, participações especiais e exportações do setor. O governo previa arrecadar R$ 160 bi com recursos naturais neste ano, mas essa projeção saltou para R$ 177 bi. São esses R$ 17 bilhões extras que o Executivo quer usar para abater impostos como Cide e PIS/Cofins. Por que isso importa? O país importa cerca de 15% da gasolina e 25% do diesel que consome. Como os combustíveis influenciam os preços dos fretes, alimentos e serviços, o plano do governo é conter uma possível alta na inflação.

Mas nem todo mundo gostou da ideia…

O mercado financeiro não recebeu a notícia com aplausos. O motivo é a palavra que os investidores mais temem: incerteza.

• Analistas já contavam com esses R$ 17 bilhões para ajudar a fechar as contas públicas. Se o governo gasta o extra, o alívio fiscal desaparece.

• Para o mercado, não está claro como esse cálculo funcionará no dia a dia. Com o preço do barril oscilando, fica a dúvida se o imposto mudaria na mesma velocidade, o que pode virar um pesadelo logístico para os postos e distribuidoras.

• Com a proximidade das eleições, investidores temem que a medida seja mais política do que técnica, criando subsídios difíceis de retirar depois.

No início do mês, o governo federal já havia anunciado programas de incentivos fiscais para conter a alta dos combustíveis, com um custo estimado em R$ 30 bilhões.

FILIPE ARAUJO AFP

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