O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do vereador Senival Moura (PT), preso desde 25 de junho na Operação Última Parada, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. A decisão, proferida nesta sexta-feira (24), atendeu a pedido da Polícia Federal e recebeu parecer favorável do Ministério Público.
O juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, do TJ-SP, justificou a prorrogação afirmando que a investigação teve “avanços significativos” no último mês, mas que ainda há diligências “imprescindíveis” pendentes. “A prisão temporária revela-se medida destinada a assegurar a plena realização das diligências ainda pendentes, preservando a utilidade da atividade investigativa que poderia ser toda comprometida com o não acolhimento do pleito da autoridade policial”, escreveu o magistrado.
O presidente da Transunião e outros alvos da operação também tiveram a prisão prorrogada.
Operação investiga lavagem de dinheiro do PCC na Transunião
A Operação Última Parada, deflagrada em 25 de junho, cumpre mandados de busca e apreensão em 13 cidades de São Paulo e Minas Gerais, com cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca. Também foi decretado o bloqueio de R$ 194 milhões em bens, com apreensão de 117 ônibus, 21 imóveis e três embarcações, além da intervenção e afastamento da cúpula da Transunião, cuja direção passou à SPTrans.
Segundo a investigação, a Transunião movimentou cerca de R$ 545 milhões em créditos e R$ 546 milhões em débitos durante o período analisado. Entre janeiro e maio deste ano, a empresa recebeu R$ 182,1 milhões da Prefeitura de São Paulo pela remuneração do transporte de cerca de 6 milhões de passageiros por mês.
O vereador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro do crime organizado na empresa de ônibus. Embora não integrasse oficialmente o quadro societário da Transunião, ele teria exercido o “controle tático da gestão” e da “estrutura financeira da empresa”, sendo descrito pelos policiais como o principal responsável por fazer da companhia um instrumento de suporte à lavagem de dinheiro do PCC.
Defesa nega irregularidades e pediu afastamento do PT
A defesa de Senival Moura afirmou, na época da prisão, ter recebido a notícia “com indignação” e apontou que a medida foi determinada em “momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral”. “Senival reafirma sua confiança na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, que já perdura há quatro anos, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”, disse a defesa.
Dois dias após a prisão, em 27 de junho, o vereador enviou ao Diretório Municipal do PT de São Paulo um pedido de afastamento de sua filiação partidária, “sob a justificativa de se dedicar à sua defesa e também para não vincular os últimos acontecimentos à agremiação partidária”.

