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Vereador do PT é preso em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC em empresa de ônibus de São Paulo

Por Luiz Gomes • 25 de junho de 2026

O vereador Senival Moura (PT-SP), 1º secretário da Câmara Municipal de São Paulo, foi preso na manhã desta quinta-feira (25) na Operação Última Parada, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil. Ele é acusado de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na empresa de ônibus Transunião.

A operação cumpre cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão em 13 cidades de São Paulo e Minas Gerais. A 2ª Vara de Crimes Tributários determinou o bloqueio de bens de até R$ 194 milhões, incluindo 117 ônibus, 21 imóveis e três embarcações, além da intervenção e afastamento dos seis integrantes da cúpula da Transunião, cuja direção passará à SPTrans.

Senival é apontado como dono de 13 ônibus e “controlador tático” da empresa

Segundo a investigação, Senival Moura não integrava oficialmente o quadro societário da Transunião, mas exerceria o “controle tático da gestão” e, sobretudo, da “estrutura financeira da empresa”. Ele é descrito pelos policiais como o principal responsável por fazer da companhia um instrumento do sistema clandestino de lavagem de dinheiro do PCC.

A análise de planilhas apreendidas no inquérito do assassinato do então presidente da empresa, Adauto Soares Jorge (morto em 2020), revelou que Senival figurava como “efetivo” explorador econômico de 13 ônibus da frota. Os veículos estavam distribuídos em nome de diferentes operadores formais, incluindo laranjas, e, em alguns casos, vinculados ao CPF da esposa e de um filho do vereador.

Além dos veículos, o vereador teria em seu nome a empresa SPM Transporte Urbano de Passageiros e Cargas. Segundo os investigadores, ele usaria assessores e filhos para dissimular seu patrimônio. Entre os bens adquiridos estão uma casa em condomínio em Juquehy (SP), avaliada em R$ 800 mil, um apartamento na Vila Madalena, em São Paulo, e um sítio em Extrema (MG), com piscina e campo de futebol.

O vereador Senival Moura, do PT, durante sessão de CPI na Câmara Municipal de São Paulo. — Foto: Divulgação/Rede Câmara

Movimentação financeira de R$ 8,6 milhões sem origem declarada

O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD) da Polícia Civil analisou as movimentações financeiras de Senival entre 2019 e 2022 e identificou R$ 8,6 milhões em créditos e débitos em suas contas, por meio de 3.134 lançamentos bancários. Desse montante, R$ 2,3 milhões não teriam origem declarada. Entre os principais responsáveis por aportes financeiros ao vereador está a própria Transunião.

A análise concluiu que a evolução patrimonial de Senival é superior à remuneração que recebeu como vereador, o que reforça as suspeitas de enriquecimento ilícito.

Empresa recebeu R$ 182 milhões da Prefeitura em 2026

A Transunião transporta cerca de 6 milhões de passageiros por mês em 57 linhas na zona leste de São Paulo, com uma frota de 614 ônibus. Só entre janeiro e maio deste ano, a empresa recebeu R$ 182,1 milhões da Prefeitura. Em 2025, o secretário municipal de Transportes empenhou R$ 163 milhões para a eletrificação de parte da frota.

A investigação aponta que a empresa movimentou aproximadamente R$ 545 milhões em créditos e R$ 546 milhões em débitos no período analisado, com elevada pulverização bancária e circulação cruzada de recursos entre pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao mesmo núcleo econômico. Cerca de R$ 24,7 milhões em créditos não têm identificação adequada de origem.

Histórico de assassinatos e “salves” do PCC

A Operação Última Parada teve origem no assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto a tiros em 2020. A investigação revelou que o desvio de dinheiro da empresa motivou o crime. Senival também estava na mira da facção, que só não o matou por ele ser político, na época, o vereador chegou a pedir proteção policial.

Os policiais encontraram na casa de um dos acusados uma carta manuscrita com a estrutura dos “salves” emitidos pelo PCC, tratando de conflitos na direção da empresa e da acusação de desvio de R$ 15 milhões da garagem. O documento informava a determinação de afastamento dos envolvidos. Senival e outros investigados foram afastados da empresa.

A Transunião é a quarta empresa de ônibus de São Paulo investigada por elo com o PCC. Em 2024, as empresas Transwolff e UPbus foram alvos da Operação Fim de Linha pelo mesmo motivo.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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