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Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) acionaram a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra Nikolas Ferreira (PL-MG) e pediram que o deputado seja declarado inelegível por oito anos . A representação, protocolada na sexta-feira (4), também solicita a cassação do registro ou diploma do parlamentar .
O pedido tem como base a divulgação, em 3 de setembro, de um documento falso atribuído à Polícia Federal . O material simulava uma conclusão oficial da PF de que não haveria indícios de crimes envolvendo Nikolas e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero . Horas antes, reportagens haviam divulgado mensagens e áudios trocados entre o deputado e Vorcaro .
Segundo a representação, a Polícia Federal negou publicamente ter produzido o documento . Em nota, a corporação confirmou que o material não foi elaborado por seus investigadores .
Publicação em contas com milhões de seguidores
O documento foi compartilhado nas contas oficiais do deputado no Instagram e no X, que somam mais de 27 milhões de seguidores . A publicação ocorreu em um momento em que Nikolas busca a reeleição para a Câmara dos Deputados .
A cronologia da divulgação foi detalhada na representação :
· 10h56: O portal Diário 360 publicou matéria afirmando que a PF não apontaria irregularidades contra o parlamentar.
· 12h58: A imagem do documento apareceu pela primeira vez no perfil @nikolasferreirateam no Instagram.
· 13h14: O perfil @NewsLiberdade (Space Liberdade) veiculou a imagem no X.
· 13h48: O perfil oficial de Nikolas no Instagram, com 22,2 milhões de seguidores, republicou o conteúdo em story.
· Após as 13h56: O perfil oficial do deputado no X, com 5,5 milhões de seguidores, compartilhou a publicação.
O parlamentar removeu o conteúdo posteriormente. Nikolas afirmou que apenas republicou o material de outro perfil e apagou a postagem depois que o conteúdo original foi deletado .
Laudo técnico aponta divergências
Um laudo anexado à representação comparou o documento divulgado com um relatório autêntico de 218 páginas produzido pela PF . Segundo os parlamentares, há divergências de conteúdo, datas, estrutura e identificação . O documento publicado não teria assinatura, matrícula de servidor, número de procedimento ou código verificador .
A perícia também apontou :
· Conflito de páginas: A página 156 do relatório verdadeiro trata de pagamentos a um escritório de advocacia, conteúdo diferente do que circulou.
· Divergência temporal: O documento falso trazia data de 18 de novembro de 2025, enquanto o relatório autêntico é de 27 de agosto de 2026 .
· Seção 7 do relatório oficial só se inicia na página 216, o que não corresponde ao material divulgado .
Pedido de investigação e possíveis crimes
Os deputados sustentam que a divulgação do material pode configurar uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político, condutas que podem levar à inelegibilidade . Eles pedem que a PGE abra um procedimento preparatório e, ao final, ajuíze uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) .
A representação também solicita a apuração de possíveis crimes eleitorais relacionados à falsificação e ao uso de documento falso, entre eles falsificação de documento público, falsidade ideológica e divulgação de fatos inverídicos durante a campanha .
Os parlamentares afirmam que a responsabilidade eleitoral de Nikolas deve ser analisada mesmo que ele alegue desconhecer a falsidade do documento. Segundo a petição, a legislação eleitoral impõe ao candidato o dever de verificar a fidedignidade de conteúdo de terceiros antes de utilizá-lo em propaganda .
A representação pede ainda que a PF e as plataformas digitais preservem registros e forneçam dados sobre alcance e interações das publicações .
Outras ações contra Nikolas
Em 4 de setembro, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) também acionou a Justiça Eleitoral contra Nikolas pela divulgação do documento falso . A parlamentar pediu a prisão do deputado e afirmou que “o que Nikolas fez é CRIME” .
O TRE-MG, no entanto, extinguiu a representação apresentada por Erika Hilton sem análise do mérito por questões processuais. O juiz entendeu que as autoras não apresentaram o endereço eletrônico da publicação, que havia sido apagada .
Em abril de 2026, os deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia já haviam protocolado representação criminal-eleitoral contra Nikolas pelo uso de um avião executivo associado a Daniel Vorcaro em agendas de campanha de 2022 .
Referências
A TARDE — Petistas pedem à PGE inelegibilidade de Nikolas Ferreira por 8 anos. Disponível em: https://atarde.com.br/politica/petistas-pedem-a-pge-inelegibilidade-de-nikolas-ferreira-por-8-anos-1401108
Revista Fórum — Deputados pedem à PGE inelegibilidade de Nikolas Ferreira por documento falso atribuído à PF. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/deputados-pge-inelegibilidade-nikolas-ferreira-documento-falso-pf/
O Globo — Deputados pedem investigação contra Nikolas Ferreira por uso de documento falso atribuído à PF. Disponível em: https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/09/deputados-pedem-investigacao-contra-nikolas-ferreira-por-uso-de-documento-falso-atribuido-a-pf.ghtml
Bnews — Deputados do PT pedem investigação por crimes eleitorais e inelegibilidade de Nikolas Ferreira. Disponível em: https://www.bnews.com.br/noticias/politica/deputados-do-pt-pedem-investigacao-por-crimes-eleitorais-e-inelegibilidade-de-nikolas-ferreira.html
Bnews — Erika Hilton pede prisão de Nikolas Ferreira por divulgar laudo falso da PF. Disponível em: https://www.bnews.com.br/noticias/politica/erika-hilton-pede-prisao-de-nikolas-ferreira-por-divulgar-laudo-falso-da-pf.html
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pt-pede-inelegibilidade-nikolas-documento-falso-policia-federal/
Diário do Centro do Mundo — Nikolas admite que publicou documento falso da PF. Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nikolas-admite-que-publicou-documento-falso-da-pf/
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem o conteúdo da representação protocolada na Procuradoria-Geral Eleitoral pelos deputados Rogério Correia, Lindbergh Farias e Alencar Santana, bem como declarações públicas de Nikolas Ferreira. A Polícia Federal confirmou que o documento divulgado pelo parlamentar é falso e não foi produzido pela corporação. A representação está em fase inicial de análise na PGE, e não há, neste momento, decisão da Justiça Eleitoral sobre o caso. As acusações de uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político ainda serão investigadas. Nikolas Ferreira nega ter cometido irregularidades e afirmou que apenas republicou conteúdo de terceiros. O espaço para manifestação da defesa segue aberto.

