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Irã e EUA se aproximam de memorando para fim da guerra

Por Luiz Gomes • 25 de maio de 2026
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Irã e Estados Unidos estão próximos de finalizar um memorando de uma página para encerrar a guerra no Oriente Médio, conforme revelado por autoridades paquistanesas e fontes americanas. O documento, que inclui um cessar-fogo de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento parcial de sanções ao petróleo iraniano, representa o ponto mais próximo de um acordo entre os dois países desde o início do conflito.

Os Estados Unidos esperam uma resposta iraniana nas próximas 48 horas sobre a proposta, que também prevê uma moratória sobre as limitações ao enriquecimento de urânio pelo Irã em troca da liberação de bilhões em ativos iranianos congelados. No entanto, o Irã já indicou que o memorando contém “termos inaceitáveis”, enquanto o presidente Donald Trump ressaltou que os EUA não se “precipitarão” em um acordo

Detalhes do Memorando e Reações

O memorando de entendimento visa criar um roteiro para resolver questões pendentes, conforme o Secretário de Estado americano, Marco Rubio. A proposta inclui a suspensão dos bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de petróleo, que tem sido palco de confrontos recentes.

Donald Trump, apesar de reconhecer “grande progresso” nas negociações, mantém a cautela, afirmando que as sanções aos portos iranianos permanecerão em vigor até que um entendimento seja alcançado. O Irã, por sua vez, embora reconheça avanços, nega que um acordo seja iminente e não concordou com novas medidas relacionadas ao seu programa nuclear.

Israel, por meio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reagiu aos relatos do possível acordo, reiterando que “o Irã jamais terá uma arma nuclear”, destacando a complexidade e as preocupações regionais em torno das negociações.

Impacto Geopolítico e Econômico

A perspectiva de um acordo já gerou impacto nos mercados globais, com a queda de 6% nos preços do petróleo devido à expectativa de levantamento parcial das sanções ao petróleo iraniano e à reabertura do Estreito de Ormuz. O estreito é responsável por cerca de um quinto do consumo global de petróleo.

Se concretizado, o acordo representaria uma mudança significativa na estratégia dos EUA para a região, buscando estabilidade através de concessões econômicas em troca de garantias de segurança e controle nuclear. Para o Irã, o alívio das sanções seria vital para sua economia, severamente impactada pelas restrições internacionais.

Pontos-Chave do Possível Acordo

Os principais elementos em discussão entre Estados Unidos e Irã incluem:

Contexto e Desdobramentos Regionais

A busca por um entendimento ocorre em um momento de extrema fragilidade na segurança do Oriente Médio. O Estreito de Ormuz, onde o memorando prevê a suspensão de bloqueios, é o ponto de estrangulamento mais importante do mundo para o setor de energia. Qualquer interrupção prolongada no fluxo de navios pela região tem o potencial de desestabilizar economias dependentes de importações de petróleo e gás, o que explica a queda imediata nos preços da commodity diante das notícias de progresso diplomático. Além dos aspectos econômicos, o acordo-quadro de 60 dias visa fornecer uma janela de oportunidade para negociações mais profundas e duradouras. O governo dos EUA acredita que este é o momento de maior proximidade entre as partes desde o início das hostilidades, mas a fragmentação da liderança iraniana e a pressão de aliados regionais, como Israel, permanecem como desafios significativos para a implementação do memorando.

A Casa Branca aguarda uma resposta formal de Teerã nas próximas 48 horas. O documento de uma página entregue aos mediadores paquistaneses serve como o roteiro inicial para o que o Departamento de Estado americano classifica como uma “negociação significativa e com prazo determinado”. Caso a resposta iraniana seja positiva, os termos do cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz devem entrar em vigor imediatamente após a assinatura formal do memorando. Acompanhando a resposta de Teerã, o governo dos EUA deve decidir se mantém a pausa nas operações militares na região ou se retoma as ações ofensivas caso os termos não sejam aceitos ou se ocorram novas violações no trânsito marítimo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já sinalizou que manterá a vigilância sobre o programa nuclear iraniano, independentemente do resultado das negociações bilaterais entre Washington e Teerã.