O ministro das Relações Exteriores do Peru disse na quinta-feira (14 de maio) estar preocupado com peruanos cujas famílias afirmam que foram atraídos com promessas de trabalhos bem remunerados na Rússia, mas acabaram sendo enviados para combater na guerra na Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores do Peru, Carlos Pareja, disse na quinta-feira estar preocupado com seus compatriotas peruanos que, segundo suas famílias, foram atraídos com promessas de trabalhos bem remunerados na Rússia, mas acabaram sendo enviados para lutar na guerra na Ucrânia.
“Que a juventude não se deixe enganar, não se deixe seduzir por ofertas econômicas que podem ser muito atraentes, dados os salários que prometem pagar, mas que não vão pagar. Não vão trabalhar naquilo que estão dizendo que vão trabalhar, mas vão mandá-los para a linha de frente. Vão mandá-los para esta guerra na qual eles não têm por que lutar.”
Na quinta-feira, familiares protestavam em frente ao prédio da chancelaria em Lima, denunciando que seus parentes são vítimas de tráfico de pessoas.
María Rosario contou que, no Dia das Mães, recebeu uma ligação desesperada de seu irmão, um dos enganados.
“Meu irmão tem 57 anos. Já não consegue caminhar. ‘Irmã, já não consigo caminhar’, ele me disse. Mas para eles, isso não importa, não importa. A única coisa que lhes interessa é que vão para a linha de frente.”
A advogada Angie Mendoza, representante das famílias na Rússia, explicou que há entre 600 e 1 mil compatriotas nessa situação no país euroasiático.
“Muitos peruanos foram levados para a Rússia com falsas promessas de trabalho, achando que iriam trabalhar em funções administrativas, engenharia, segurança de embaixadas, hospitais, escolas, obras, sob contrato militar. No entanto, ao chegar lá e assinar o contrato militar, perceberam que o trabalho era para a primeira linha do Exército russo, recebendo um treinamento de apenas 7 a no máximo 15 dias, quando no contrato dizia que seria de uma média de três meses.”
A chancelaria peruana lançou uma campanha nas redes sociais para alertar os cidadãos sobre ofertas para trabalhar ou estudar na Rússia que parecem boas demais para ser verdade, aconselhando-os a solicitar o contrato, não assinar nada em um idioma estrangeiro que não entendam e não entregar seus passaportes.
Em 1º de maio, as Promotorias Especializadas de Lima e Lima Norte informaram que iniciariam uma investigação pelo suposto crime de tráfico de pessoas.

