Os bastidores políticos na capital federal revelam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vinha acompanhando com forte preocupação o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. De acordo com informações exclusivas obtidas pelo Blog da Natuza Nery, o chefe do Executivo chegou a interpelar diretamente o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), sobre eventuais ramificações do caso antes mesmo da Polícia Federal deflagrar a operação que teve o parlamentar como alvo principal.
Fontes de dentro do Palácio do Planalto confirmaram que Lula abordou o senador de forma reservada para questioná-lo a respeito das supostas ligações do PT da Bahia com o esquema financeiro capitaneado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, Jaques Wagner assegurou categoricamente ao presidente que não havia “nada” de irregular que pudesse respingar em sua conduta ou na imagem da legenda no estado.
A ação da Polícia Federal
Apesar das garantias dadas pelo líder do governo, o cenário mudou drasticamente com a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero. A ação policial — autorizada pelo Supremo Tribunal Federal — apontou o senador baiano como um “interlocutor relevante” dos interesses do grupo econômico de Vorcaro, jogando o núcleo do governo federal no centro do furacão político.
A Polícia Federal apura se a proximidade de Jaques Wagner com empresários e operadores ligados ao ex-proprietário do Banco Master resultou em facilidades políticas e na defesa de pautas de interesse da instituição financeira dentro do Congresso Nacional.
“O Palácio do Planalto foi pego de surpresa com a intensidade da operação, principalmente porque o próprio senador havia minimizado os riscos em conversas prévias”, relatou um interlocutor governista sob a condição de anonimato.
Alerta ligado para as eleições de 2026
A investida contra o homem de confiança de Lula no Senado acendeu imediatamente o sinal de alerta entre os coordenadores e estrategistas da campanha à reeleição do presidente. O temor da ala política do governo é que o escândalo — que até então vinha sendo explorado pela base governista como uma crise restrita a figuras da oposição — agora contamine a narrativa de integridade do Planalto, forçando o PT a recalcular rotas e a adotar uma postura de distanciamento tático das investigações enquanto a defesa do senador se posiciona na Justiça.

