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O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu, em entrevista exibida pela Globo na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, a anistia para condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e afirmou ser contrário à obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19. A sabatina, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo, também tratou da dívida de Minas Gerais, segurança pública, previdência, privatizações e educação.
A entrevista abriu a série da Globo com presidenciáveis. Segundo o Terra, Zema foi interrompido 13 vezes pelos jornalistas ao responder sobre a situação fiscal de Minas Gerais. Além das interrupções, respostas consideradas evasivas e uma gafe do candidato ao mencionar políticas públicas para mulheres.
Anistia e vacinação
Questionado sobre os atos de 8 de janeiro, Zema rejeitou classificá-los como tentativa de golpe e defendeu a revisão das condenações. “Eu darei anistia ou, no mínimo, um tribunal que não seja político, que seja judicial”, afirmou.
O candidato também disse ser contra a obrigatoriedade da vacinação, embora tenha declarado que tomou todas as doses contra a Covid-19 e que acredita na ciência. “Eu não posso permitir que uma família seja perseguida porque alguém não tomou a vacina”, afirmou. Zema defendeu campanhas de conscientização em vez de punições para ampliar a adesão à imunização, conforme o Terra.
Dívida de Minas e resultado fiscal
Na entrevista, Zema atribuiu o crescimento da dívida de Minas Gerais aos juros cobrados pelo governo federal e afirmou que o passivo foi herdado de administrações anteriores. “A dívida de Minas foi toda feita no passado. Eu não fiz nenhum empréstimo durante o meu governo”, declarou, de acordo com o Terra.
O candidato também afirmou que assumiu o governo com déficit de R$ 11 bilhões e deixou um superávit de R$ 5 bilhões. A equipe do Fato ou Fake classificou essa afirmação como “não é bem assim”. Segundo a checagem, o primeiro mandato de Zema começou em janeiro de 2019; o déficit de 2018 foi de aproximadamente R$ 11,4 bilhões, enquanto o resultado positivo de R$ 5,1 bilhões se referia a 2024 e foi impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho. Em 2025, o superávit indicado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais foi de R$ 1,1 bilhão.
Declarações classificadas como falsas
O Fato ou Fake classificou como falsa a afirmação de Zema de que era o único candidato à Presidência a ter visitado El Salvador. A checagem informou que o candidato esteve no país em maio de 2025, mas que Flávio Bolsonaro também visitou a nação em novembro daquele ano.
A afirmação de que Minas Gerais tinha taxa de feminicídio inferior à média nacional também foi classificada como falsa. De acordo com os dados citados pelo Fato ou Fake, a taxa mineira foi de 1,6 feminicídio por 100 mil mulheres em 2025, ante 1,4 no conjunto do país.
Segurança, privatizações e propostas econômicas
Zema afirmou que pretende enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e mencionou uma estimativa de que cerca de 60 milhões de brasileiros vivem em áreas com presença de grupos criminosos. O Fato ou Fake classificou a declaração como fato, mas apresentou números diferentes conforme as pesquisas: um levantamento Datafolha contratado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou que 68 milhões de pessoas percebiam a presença de grupos criminosos no bairro onde moravam.
O candidato também defendeu privatizações de empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Na educação, prometeu ampliar em dez vezes a quantidade de escolas públicas de tempo integral. Para o salário mínimo, afirmou que garantiria a reposição da inflação e condicionaria aumentos reais ao desempenho da economia. A próxima entrevista da série, segundo o Terra e o g1, será com Ronaldo Caiado em 25 de agosto.
Fontes:
Fato ou Fake, Globo/G1

