|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar os dados de uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão, assinada em 21 de agosto.
O material apreendido pela polícia paulista será incorporado ao inquérito que tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura o uso de emendas parlamentares no financiamento do longa. Ao pedir o compartilhamento, a PF argumentou que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) ocupa posição central na investigação sobre o possível uso de emendas parlamentares.
Segundo a imprensa, os investigadores avaliam que dados de computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais e comprovantes de pagamento apreendidos na operação paulista podem ajudar a esclarecer a origem e o destino dos recursos. Dino considerou pertinentes os argumentos da PF e autorizou o intercâmbio, com base no entendimento do STF sobre a troca de informações entre investigações distintas.
A operação que originou o material
O Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada a Karina Ferreira da Gama, dona da entidade e sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo “Dark Horse” , foi alvo em junho da Operação Wi-Fi, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. A ação apura suspeitas de irregularidades em um contrato de cerca de R$ 108 milhões por ano firmado com a Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB), para oferta de internet pública. As investigações buscam apurar se parte desses recursos foi desviada para financiar a produção da cinebiografia.
Financiamento do filme e emendas sob suspeita
O filme, estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel e dirigido por Cyrus Nowrasteh, tem lançamento previsto para depois das eleições, a partir de novembro. Segundo o GPS Brasília, uma frente separada de investigação, também sob relatoria de André Mendonça, apura se recursos repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, financiaram a produção, o Intercept Brasil apurou que Vorcaro pagou R$ 61 milhões ao projeto entre fevereiro e maio de 2025.
Os aportes de emendas sob suspeita têm autoria de parlamentares do PL, entre eles Mário Frias (SP), Bia Kicis (DF) e Marcos Pollon (MS). A PF também deu prazo de dez dias para a Agência Nacional do Cinema (Ancine) apresentar informações sobre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao projeto.
Contraponto dos citados
Mário Frias nega relação entre os repasses e o filme e afirma que a verba destinava-se a “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”. Segundo o deputado, “não há um único centavo” de Vorcaro no longa. A assessoria de Marcos Pollon informou que a emenda de R$ 1 milhão do parlamentar foi redirecionada a uma instituição oncológica e nega desvio de finalidade. Bia Kicis afirma que sua emenda, de R$ 150 mil, refere-se a projeto cultural e educativo sem relação com o filme.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado em áudios nos quais cobrava valores de Vorcaro para a produção, disse na semana passada que o caso é uma “página virada” em sua campanha à Presidência.
O material da Operação Wi-Fi será anexado ao inquérito do STF, que segue sob relatoria de André Mendonça após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a abertura das apurações. O prazo dado à Ancine para o envio de informações sobre o filme vence dez dias após a notificação da agência.

