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Regulação dos Jogos: Entra em vigor alerta obrigatório sobre riscos em propagandas de ‘bets’

Por Kaio Alves • 18 de julho de 2026

Toda publicidade de bet será acompanhada de uma advertência em nome do Ministério da Fazenda, semelhante com o que acontece com cigarros e bebidas.

O mercado de apostas online no Brasil vive um novo marco regulatório. Passou a valer a obrigatoriedade de que todas as peças publicitárias de plataformas de apostas — as populares “bets” — exibam avisos explícitos e destacados sobre os riscos à saúde mental e financeira associados aos jogos de azar.

A medida, desenhada pelo Ministério da Fazenda, faz parte de um pacote de regras de conformidade e jogo responsável que visa conter o crescimento descontrolado do endividamento das famílias brasileiras e o avanço da ludopatia (vício em jogos).

As Novas Regras de Publicidade

O modelo de fiscalização imposto pelo governo federal assemelha-se ao que já é aplicado há décadas nas indústrias de tabaco e bebidas alcoólicas. A partir de agora, as empresas autorizadas a operar no país não podem apenas divulgar suas marcas de forma livre; elas devem obrigatoriamente veicular mensagens de conscientização.

As novas diretrizes determinam que:

  • O alerta deve ocupar, no mínimo, 10% da área total do anúncio visual (seja em outdoors, posts de redes sociais, sites ou banners). A mensagem precisa ser escrita na horizontal, com fonte legível e cores que contrastem fortemente com o fundo da imagem.
  • As empresas devem rodar campanhas utilizando frases padronizadas estipuladas pelo governo, tais como: “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” ou “Aposta não é investimento”.
  • Em comerciais de televisão, rádio ou vídeos na internet, o alerta precisa ser lido de forma pausada e clara ao final da inserção, ou exibido na tela por tempo suficiente para a leitura do espectador.

“Ganho Fácil” e Proteção a Menores

Além dos alertas visuais, a nova portaria impõe restrições severas ao conteúdo criativo das propagandas. Fica expressamente proibido associar o ato de apostar ao sucesso financeiro, ao enriquecimento rápido ou a qualidades de superioridade social e pessoal.

“O objetivo é desmistificar a ideia de que a aposta é uma fonte de renda. O cidadão precisa entender que se trata de uma forma de entretenimento com alto risco de perda financeira”, explicou um técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

A regulamentação também fecha o cerco para proteger o público infantojuvenil. As bets estão proibidas de utilizar elementos do universo jovem em seus anúncios — como personagens de desenhos animados, influenciadores mirins ou linguagens voltadas estritamente a menores de 18 anos.

Cerco aos Influenciadores

O governo federal reforçou que a tolerância será zero com o descumprimento das normas. As plataformas de apostas que ignorarem os avisos obrigatórios ou veicularem peças publicitárias abusivas estão sujeitas a multas pesadas, que podem chegar a R$ 2 bilhões por infração, além da suspensão temporária ou até definitiva da licença para operar em território nacional.

A responsabilidade também foi estendida aos intermediários. Veículos de comunicação, portais de notícias e influenciadores digitais também podem ser responsabilizados judicialmente caso divulguem plataformas que operam na ilegalidade ou que não estejam adequadas ao novo padrão visual de jogo responsável.

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Kaio Alves
Sobre o autor

Kaio Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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