Brasil

Senado aprova proposta que reduz em quase 40% área de floresta protegida no Pará e flexibiliza regras para multas ambientais

Por Stephanie Paixao • 17 de julho de 2026

O Senado aprovou um projeto que reduz em 40% a área da Floresta Nacional do Jamanxim, transformando parte em Área de Proteção Ambiental e alterando normas de fiscalização ambiental. A proposta visa regularização fundiária, mas gera preocupações sobre aumento do desmatamento e ocupações irregulares.

Projeto aprovado pelos senadores altera os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, diminui a área de proteção ambiental e muda procedimentos para aplicação de sanções por infrações ambientais. Texto segue para análise da Câmara dos Deputados.

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (15) um projeto de lei que reduz em aproximadamente 40% a área da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, localizada no sudoeste do Pará, e promove mudanças na legislação ambiental que, segundo ambientalistas e entidades de fiscalização, podem dificultar a aplicação de multas por infrações ambientais. A proposta faz parte de um conjunto de medidas voltadas à regularização fundiária e ao ordenamento territorial da região amazônica, mas gerou críticas de organizações ambientais, que alertam para o risco de aumento do desmatamento e da ocupação irregular de terras públicas.

O projeto (PL 2.486/2026) é de autoria do deputado federal Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). A matéria foi aprovada pelo Senado sem mudanças em relação ao texto que havia sido aprovado na Câmara. Agora a proposta segue para a sanção da Presidência da República. O texto subtrai dos limites da Flona do Jamanxim áreas ocupadas por agricultores — que estão em situação irregular. As APAs têm regras mais flexíveis para ocupação e para atividades econômicas. De acordo com o relator da matéria, senador Jader Barbalho (MDB-PA), a mudança tem o objetivo de resolver conflitos fundiários históricos. (Fonte: Agência Senado)

O senador Jader Barbalho foi relator da proposta
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

— A recategorização de parte do território permite disciplinar ocupações consolidadas e reconhecer atividades produtivas preexistentes. (…) Trata-se de medida que compatibiliza proteção ambiental e ordenamento territorial com adequada segurança jurídica — disse Jader, que participou da sessão plenária do Senado de forma remota.

A Floresta Nacional do Jamanxim foi criada em 2006 com o objetivo de proteger uma das áreas mais pressionadas pelo avanço do desmatamento na Amazônia. Desde então, a unidade de conservação tem sido alvo de conflitos envolvendo grileiros, madeireiros, garimpeiros e produtores rurais que ocupam partes da reserva. Os defensores do projeto afirmam que a redução dos limites busca adequar a área protegida à realidade fundiária da região, onde milhares de propriedades e ocupações foram consolidadas ao longo dos anos.

De acordo com o texto aprovado, cerca de 486 mil hectares deixarão de integrar a Flona do Jamanxim. Parte dessa área será transformada em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria de conservação que permite maior ocupação humana e atividades econômicas sob determinadas regras, enquanto outros trechos poderão ser destinados à regularização de imóveis rurais.

O que muda com o projeto

Entre os principais pontos aprovados pelos senadores estão:

  • Redução de aproximadamente 40% da Floresta Nacional do Jamanxim;
  • Transformação de parte da área protegida em Área de Proteção Ambiental (APA);
  • Possibilidade de regularização de ocupações consolidadas na região;
  • Alterações nos procedimentos administrativos para aplicação de multas ambientais;
  • Mudanças em regras relacionadas à fiscalização e à responsabilização por infrações ambientais.

Outro ponto que gerou forte debate foi a alteração nas regras para aplicação de sanções ambientais. O projeto estabelece novos procedimentos administrativos que, segundo especialistas e organizações ambientalistas, poderão tornar mais lenta a cobrança de multas aplicadas por órgãos como o Ibama e o ICMBio. Para os críticos, as mudanças podem reduzir a efetividade da fiscalização justamente em uma das regiões mais afetadas pelo desmatamento ilegal. Parlamentares favoráveis à proposta, por outro lado, argumentam que as alterações não eliminam as punições ambientais, mas garantem maior segurança jurídica aos produtores rurais e evitam autuações consideradas excessivas ou baseadas em conflitos fundiários ainda não solucionados. Segundo os defensores do texto, a medida busca conciliar preservação ambiental com desenvolvimento econômico e regularização de áreas ocupadas há décadas.

Redes sociais
Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

Deixe uma resposta