O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou os detalhes de uma grande operação que desarticulou uma organização criminosa infiltrada na administração pública fluminense. De acordo com as investigações da Procuradoria-Geral de Justiça, um grupo empresarial controlado nos bastidores pelo deputado estadual Rafael Nobre (União Brasil) fraudou licitações para arrematar 45 contratos públicos, somando um montante impressionante de R$ 350 milhões.
A ofensiva cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão e coloca o parlamentar, que tem forte base eleitoral na Baixada Fluminense, no centro de um dos maiores escândalos de desvio de verbas e fraudes licitatórias recentes do estado.
“Gigantesco Esquema”
As investigações apontam que o esquema operava com uma rede de empresas de fachada e laranjas que simulavam concorrência entre si para garantir o controle de contratos de prestação de serviços — que iam desde limpeza urbana e manutenção até fornecimento de insumos para prefeituras e órgãos estaduais.
O MP detalhou que os editais eram confeccionados sob medida. Cláusulas restritivas eram inseridas secretamente para desclassificar concorrentes legítimos e garantir que apenas as empresas ligadas ao grupo do parlamentar saíssem vitoriosas. Os lucros inflados dos contratos superfaturados eram escoados por meio de uma complexa rede de contas bancárias, empresas imobiliárias e movimentações em espécie, com o objetivo de ocultar os verdadeiros beneficiários do esquema e financiar campanhas políticas. A promotoria aponta que Rafael Nobre utilizava sua forte influência política junto a gestores públicos e secretarias municipais para pressionar a liberação de pagamentos e a prorrogação dos contratos fraudulentos.
Reações e Defesa
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) acompanha os desdobramentos do caso através de sua Mesa Diretora, e partidos de oposição já sinalizaram a intenção de acionar o Conselho de Ética para apurar a conduta do deputado.
Em nota oficial, a assessoria e a defesa jurídica de Rafael Nobre negaram categoricamente qualquer envolvimento em práticas ilícitas. Os advogados do parlamentar afirmaram que ele não possui qualquer vínculo societário ou gerencial com as empresas citadas na investigação e que sua atuação política sempre foi pautada pela legalidade e transparência, colocando-se à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários à Justiça.

