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Produtora declara gasto de R$ 75 milhões no filme sobre Bolsonaro; entenda os diferentes valores ligados ao longa

Por Stephanie Paixao • 17 de junho de 2026

Perícia apresentada pela defesa aponta custo de R$ 75 milhões, enquanto orçamento inicial era maior e investigações analisam a origem dos recursos utilizados na produção

A produtora Go Up Entertainment declarou que o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve um custo total equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões. A informação consta em uma perícia privada anexada ao inquérito que investiga a origem dos recursos utilizados na produção.

Além do valor declarado pela produtora, outros montantes relacionados ao longa aparecem em investigações e reportagens, envolvendo orçamento inicial, aportes financeiros e suspeitas sobre possível utilização de recursos públicos.

Perícia aponta custo de aproximadamente R$ 75 milhões

Segundo o laudo apresentado pela defesa da Go Up Entertainment, a produção consumiu US$ 13.393.081,29, valor correspondente a cerca de R$ 75 milhões.

O documento detalha que:

  • R$ 20.927.664,75 foram gastos no Brasil, equivalentes a aproximadamente US$ 3.728.084,66;
  • US$ 9.664.996,63, cerca de R$ 54,2 milhões, foram destinados às etapas realizadas nos Estados Unidos.

Somados, esses valores resultam no custo total informado pela produtora.

Orçamento inicial previa valor superior

A perícia também informa que o orçamento inicialmente aprovado para o projeto era de US$ 16 milhões, montante equivalente a aproximadamente R$ 89,7 milhões.

Dessa forma, o custo efetivamente declarado pela produção ficou abaixo da previsão inicial apresentada para o desenvolvimento do filme.

Valor é inferior ao montante citado em tratativas reveladas anteriormente

Outro número associado ao longa é de R$ 134 milhões, citado em reportagens sobre supostas negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro para financiamento da obra.

De acordo com a perícia, o custo declarado de aproximadamente R$ 75 milhões representa cerca de 56% desse valor, sendo aproximadamente R$ 59 milhões inferior ao montante mencionado nas tratativas divulgadas anteriormente.

Origem dos recursos é alvo de investigação

O laudo afirma que os recursos utilizados na produção possuem origem privada, conclusão baseada na análise de contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e registros financeiros apresentados pela defesa.

Segundo a perícia, um dos principais financiadores identificados é o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos que firmou contrato de investimento para o filme em fevereiro de 2025. Os aportes atribuídos ao fundo somam aproximadamente US$ 13,3 milhões, valor próximo ao custo total declarado da produção.

A defesa sustenta ainda que não foram identificados, nos documentos analisados, recursos provenientes de verbas públicas, incentivos fiscais, Lei Rouanet ou valores oriundos da Prefeitura de São Paulo.

Inquérito continua em andamento

Apesar das conclusões apresentadas pela perícia privada, a Polícia Civil investiga a hipótese de que recursos ligados a um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil possam ter sido desviados para financiar o filme.

Também há uma apuração da Polícia Federal sobre a possibilidade de valores repassados por Daniel Vorcaro terem sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade.

Estreia pode ser adiada

O advogado Ricardo Sayeg, responsável pela defesa da produtora Karina Ferreira da Gama, afirmou que recomendou o adiamento da estreia do filme para depois das eleições, com o objetivo de evitar que a obra seja associada ao processo eleitoral.

Karina Ferreira da Gama informou que analisa essa recomendação. Segundo declarações anteriores da produtora, o objetivo do projeto é disputar premiações internacionais, incluindo categorias do Oscar.

Até a publicação das reportagens sobre o caso, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre os valores apresentados na perícia.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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