Belo Horizonte — 1 de Agosto de 2026. Durante a agenda mineira, Caiado afirmou que parte do eleitorado permanece ligada a determinados políticos mesmo diante de problemas econômicos ou sociais, numa relação de fidelidade que, segundo ele, impede uma avaliação mais ampla das propostas e dos resultados apresentados pelos governos. O ex-governador de Goiás usou a expressão “síndrome de Estocolmo” — tradicionalmente associada à ligação emocional que vítimas desenvolvem com seus captores — para descrever essa relação de dependência entre parte da população e seus representantes.
O candidato também voltou a criticar a polarização entre os grupos ligados a Lula e ao bolsonarismo, defendendo que o debate eleitoral avance para além da disputa entre os dois principais campos que dominaram as eleições anteriores. Caiado se apresenta como alternativa de direita e tem concentrado sua agenda em temas como segurança pública e combate ao crime organizado.
Caiado cobra debate sobre segundo turno e evasão escolar
Questionado sobre a divisão de candidatos de direita no primeiro turno, Caiado disse esperar que os projetos se unam no segundo turno, mas cobrou mudança no tom dos discursos. Segundo ele, o candidato que avançar à etapa final da eleição deve chegar ao debate já “tenha algo a mostrar” ao eleitor, e não precisando se explicar sobre suspeitas que, na avaliação dele, envolvem adversários em casos como a rachadinha e o Banco Master.
Como exemplo de pauta que o país deveria priorizar, Caiado citou os cerca de 9 milhões de jovens que deixaram a escola no Brasil. Na mesma agenda, o candidato do PSD comentou as dificuldades de Flávio Bolsonaro para formar sua chapa, depois de o PP confirmar neutralidade na disputa presidencial e vetar a senadora Tereza Cristina como vice do senador.
Candidatura foi oficializada pelo PSD em 26 de julho
A candidatura de Caiado à Presidência foi oficializada em convenção nacional do PSD realizada em São Paulo no dia 26 de julho, com o presidente do partido, Gilberto Kassab, como vice na chapa — formada exclusivamente por integrantes da legenda. Caiado, de 76 anos, é médico ortopedista formado pela UFRJ, governou Goiás por dois mandatos e migrou para o PSD em março, após deixar o União Brasil.
A convenção reuniu aliados como os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), mas teve ausências de governadores do próprio partido que apoiam outros nomes na disputa presidencial, como Raquel Lyra (PE), aliada de Flávio Bolsonaro, e Eduardo Paes (RJ), que apoia Lula. É a segunda candidatura de Caiado à Presidência — a primeira, em 1989, terminou com menos de 1% dos votos.
Caiado aparece em terceiro lugar nas pesquisas nacionais
Em pesquisa Meio/Ideia divulgada em julho, Caiado aparecia em terceiro lugar nas intenções de voto no âmbito nacional, com variação de 4% a 7% da preferência dos eleitores, conforme diferentes cenários. Não é a primeira vez que o candidato associa as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro aos índices de rejeição dos dois nomes — em entrevistas anteriores, já havia se referido à disputa como uma “candidatura de rejeitados”.
A campanha de Caiado deve intensificar a agenda de eventos estaduais nos próximos meses, até outubro, quando começa oficialmente o período eleitoral.

