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PGR deve negar delação de Vorcaro por falta de provas

Por Luiz Gomes • 9 de junho de 2026

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve negar nesta terça-feira (9) a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão, ainda não formalizada, é considerada nos bastidores da investigação como a hipótese mais provável, salvo se Vorcaro apresentar fatos novos acompanhados de provas concretas.

Polícia Federal já recusou primeira tentativa de acordo

Vorcaro já recebeu uma primeira recusa da Polícia Federal (PF) à sua proposta inicial de delação. Uma segunda tentativa também deve ser negada. A PF classificou a primeira versão como “fraca e seletiva”, por omitir informações relevantes e proteger nomes de autoridades que já haviam sido identificados pelos investigadores a partir de aparelhos eletrônicos apreendidos.

A primeira proposta levou dois meses para ser elaborada, mas foi rejeitada por falta de elementos comprobatórios. Investigadores afirmam que Vorcaro vinha omitindo fatos e blindando autoridades influentes dos Três Poderes, além de familiares.

Segunda proposta é mais detalhada, mas ainda sob análise

A nova proposta de delação, entregue na semana passada, é considerada mais detalhada do que a anterior. Segundo integrantes da PF, o documento reúne mais nomes, datas, documentos e informações complementares, além de anexos que não constavam na primeira versão.

Apesar da avaliação inicial positiva, a defesa apresentou complementações logo após a entrega, o que levou a PF a examinar o conteúdo com mais cautela e adiar discussões previstas para esta semana. A PGR ainda não tem prazo definido para bater o martelo.

Entre as opções da PGR estão: negar a proposta (medida mais provável); aceitar a delação (improvável, a menos que haja fato novo com provas); ou dar mais tempo para Vorcaro ajustar sua proposta.

Ausência de provas e perda de acesso a documentos complicam acordo

Investigadores apontam que as versões contadas por Vorcaro perdem embasamento a cada nova fase da Operação Compliance Zero e a cada descoberta feita a partir do conteúdo de seu celular. Além disso, parte da documentação que poderia confirmar pontos da delação não está mais acessível a ele, pois o Banco Master foi liquidado e saiu de seu controle, estando sob gestão de um liquidante.

Outro ponto avaliado pelos investigadores é que Vorcaro estaria “jogando com o tempo”, já que não há limite de prazo para a delação. Se a proposta atual não for aceita, ele pode tentar uma nova versão no futuro, apresentando mais provas.

Investigadores querem provas sobre políticos, familiares e ministros do STF

Entre os pontos considerados problemáticos pela PF está a ausência de detalhes sobre supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP), apontado nas investigações como alguém que teria atuado em favor do Banco Master no Senado. Na proposta rejeitada, Vorcaro cita Ciro apenas como um amigo, sem descrever suas relações com ele.

Investigações apontam ainda que Ciro e sua esposa teriam feito uma viagem de luxo aos Alpes franceses, bancada por Vorcaro no início de 2025, com custo estimado de quase R$ 2 milhões. O senador nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações são falsas.

Os investigadores também esperam esclarecimentos sobre a participação do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, do primo Felipe Vorcaro e do cunhado Fabiano Zettel, todos presos em diferentes fases da investigação. Além disso, Vorcaro teria minimizado relações com ministros do STF, como Dias Toffoli, cujos familiares venderam participações em um resort de luxo no Paraná para um fundo ligado ao Banco Master.

PF quer rastrear bens de Vorcaro no exterior

Além de aprofundar as investigações, a PF e a PGR pedem a devolução de R$ 60 bilhões às vítimas do suposto esquema fraudulento. Para isso, a PF deve solicitar a inclusão do nome de Vorcaro, e de pessoas próximas, na Divisão Prateada da Interpol, mecanismo internacional voltado à localização e identificação de bens, imóveis e ativos financeiros mantidos no exterior.

Caso aprovada pela Interpol, órgãos de segurança de dezenas de países poderão compartilhar informações sobre imóveis, investimentos, obras de arte, joias e outros bens vinculados ao investigado, facilitando medidas de bloqueio e recuperação patrimonial.

A PGR deve anunciar sua decisão sobre a delação ainda nesta semana. Caso a proposta seja negada, Vorcaro poderá tentar uma nova versão no futuro. A PF segue com as investigações e estuda mecanismos de cooperação internacional para rastrear ativos do ex-banqueiro no exterior. O senador Ciro Nogueira reiterou que não participou de atividades ilícitas e disse estar à disposição das autoridades.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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