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Copa: EUA recebem seleções com revista rigorosa; México, com dança

Por Luiz Gomes • 9 de junho de 2026

Faltam poucos dias para Copa e Geopolítica é problema para FIFA

As demonstrações da política migratória do governo de Donald Trump durante a Copa do Mundo de 2026 já começaram, com revistas rigorosas a delegações e vistos negados. No vizinho México, a recepção tem sido inversa, com festa e música. A competição começa no dia 11 de junho e será disputada em três países: Estados Unidos, Canadá e México.

Senegal e Bélgica passam por revistas detalhadas na chegada

Na segunda-feira (8), ao chegar nos Estados Unidos, a seleção do Senegal foi submetida a uma revista na pista do aeroporto de Raleigh, na Carolina do Norte. Jogadores e membros da delegação foram revistados um a um com detectores de metal e tiveram a bagagem inspecionada. Em comunicado, a federação senegalesa esclareceu que a vistoria ocorreu antes do embarque, ao pé do avião, para que a delegação pudesse pegar o voo sem transitar pelas zonas habituais do terminal.

A seleção da Bélgica também foi submetida a revista com detectores de metal até na sola do sapato na chegada a Chicago nesta terça-feira (9).

Uzbequistão critica revista com cães farejadores e horas de espera

A seleção do Uzbequistão foi recepcionada em Chicago com cães farejadores ao desembarcar para um amistoso contra a Holanda. A delegação teve todas as bagagens revistadas e esperou por horas sob o sol forte para a liberação.

O técnico da seleção uzbeque, Fabio Cannavaro, criticou a revista. “Eles me disseram que eram as regras, mas, no fim, a checagem de segurança foi só com a gente”, afirmou o treinador italiano, campeão do mundo em 2006. “Você vai ter que perguntar para eles”, disse, sobre os motivos da revista.

O atacante Igor Sergeev, autor do gol uzbeque na derrota por 2 a 1 para a Holanda, também comentou o ocorrido. “É a primeira vez que acontece comigo, vir para o jogo e checarem a minha mala. Mas ok, se é normal nos Estados Unidos, ok, eu vou aceitar”, afirmou.

A revista ocorreu no Icahn Stadium, em Nova York. As medidas de segurança estavam mais rigorosas devido à presença de Donald Trump na cidade. O presidente americano acompanhou o jogo 3 das finais da NBA entre New York Knicks e San Antonio Spurs.

Árbitro da Somália tem visto negado e fica fora da Copa

O árbitro somali Omar Artan, escalado para trabalhar na Copa do Mundo, teve sua entrada nos Estados Unidos negada. Ele foi submetido a horas de interrogatório ao chegar em território americano. Artan tinha visto válido, segundo a Federação da Somália, e seria o primeiro somali a apitar uma partida de Copa do Mundo.

A Fifa ainda não se pronunciou sobre o caso. A entidade afirmou anteriormente, de forma genérica, que “não está envolvida nos processos de imigração do país anfitrião” e que “cabe ao governo anfitrião determinar quem recebe um visto”.

A Somália está entre os países com restrições de viagem impostas pelo governo Trump.

Irã consegue vistos para jogadores, mas equipe técnica é barrada

A seleção do Irã conseguiu vistos para jogadores e parte da comissão técnica, mas vários membros da equipe de apoio tiveram a entrada negada nos Estados Unidos, onde a equipe disputará os três jogos da fase de grupos. Segundo a imprensa iraniana, entre os barrados estão o chefe da federação iraniana, Mehdi Taj, o diretor executivo, o secretário-geral e o diretor de comunicação.

O Departamento de Estado americano afirmou que “os vistos necessários para o Irã competir na Copa, incluindo para atletas e equipe de apoio necessária, foram emitidos”. Um porta-voz acrescentou: “Não permitiremos que a equipe iraniana abuse deste sistema para infiltrar terroristas nos Estados Unidos sob falsos pretextos.”

A embaixada do Irã na Turquia respondeu que os EUA “negaram vistos a uma grande parte da equipe gerencial e executiva, consultores técnicos e outros que são parte integrante de qualquer seleção nacional”. A federação iraniana afirmou que o comportamento dos EUA “contradiz as leis esportivas internacionais” e que levará o caso à Fifa.

Pelas condições dos vistos concedidos, a delegação iraniana deve entrar e sair do território americano no mesmo dia das partidas, informou o embaixador iraniano no México. O Irã estreia no dia 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles.

México recebe Espanha com festa e música

Enquanto os EUA impõem medidas rigorosas, o México tem recebido as seleções com festa. A Espanha foi recebida com banda de música, dança e bandeiras ao desembarcar na segunda-feira na cidade de Puebla, onde disputou um amistoso contra o Peru.

Em publicação nas redes sociais, o canal da seleção espanhola agradeceu a recepção. “Obrigada pela recepção tão especial, amigos”, disse a publicação.

A Seleção do Irã desembarcou em Tijuana, no México, neste domingo (7), para a preparação visando a Copa do Mundo de 2026.

Política migratória dos EUA foi endurecida para a Copa

O governo Trump expandiu os decretos de restrição de vistos e viagens de 19 para 39 países. Nações como Haiti, Irã, Somália, Sudão e Mali sofrem com suspensões parciais ou totais na emissão de vistos de turismo de curta permanência.

Washington também ampliou a exigência de caução para cidadãos de cerca de 50 países considerados “de risco”, que precisam pagar depósitos reembolsáveis de US$ 5 mil, US$ 10 mil ou US$ 15 mil para obter o visto, com o objetivo de evitar que torcedores e membros de delegações permaneçam nos EUA de forma ilegal após a Copa.

A Fifa ainda não se manifestou sobre os casos de visto negado ao árbitro somali Omar Artan e aos membros da delegação iraniana. O Irã disse que levará o caso à entidade. A seleção iraniana está em campamento no México e disputará seus jogos da fase de grupos em Los Angeles e Seattle. A Copa do Mundo começa no dia 11 de junho, com a partida de abertura entre Estados Unidos e Canadá, em Los Angeles.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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