BRASÍLIA — A Polícia Federal vai apurar se o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou emendas parlamentares ou projetos de lei que possam ter beneficiado o Banco Master. A diligência foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira (23).
Segundo a manifestação da PGR, a investigação busca esclarecer se houve eventual contrapartida política relacionada aos recursos destinados pelo empresário Daniel Vorcaro à produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração pretende verificar se os repasses tiveram alguma relação com a atuação parlamentar de agentes públicos.
Apuração semelhante aos casos de Ciro Nogueira e Jaques Wagner
A investigação contra Flávio Bolsonaro segue o mesmo rastro de apurações em andamento contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), ambos alvos da Operação Compliance Zero. As suspeitas sobre Flávio decorrem de áudios em que o senador cobra Vorcaro para que repassasse dinheiro para financiar o filme.

A PF investigará o envio de R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar a produção, a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do longa e as suspeitas de que parte dos recursos tenha servido para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. As suspeitas miram, além de Eduardo e Flávio, o deputado Mário Frias (PL-RJ).
Áudios de Frias e repasses não integralizados
Áudios de Mário Frias prestando contas sobre a produção do filme a Vorcaro também foram revelados pelo site The Intercept Brasil. O deputado prometeu, em maio, divulgar as contas do filme para afastar qualquer suspeita de irregularidade, mas isso ainda não ocorreu.
Na prática, Vorcaro repassava recursos do Master para a empresa Entre Investimentos. O acerto previa o pagamento de R$ 134 milhões para produzir o material, mas apenas uma parte foi oficialmente repassada. Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde o início de 2025. No ano passado, Jair Bolsonaro afirmou ter enviado R$ 2 milhões para bancar o filho no país.

