Caso Master

PF mapeia jantares de luxo em NY e revela que Castro chamava Vorcaro de ‘irmão’

Relatório da Polícia Federal aponta encontros privados e troca de mensagens durante período em que fundo dos servidores do Rio direcionou bilhões ao Banco Master

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A Polícia Federal mapeou uma série de jantares de luxo, viagens e encontros privados entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). As conversas, extraídas do celular de Vorcaro, e os relatórios que constam dos processos abertos ao público nesta sexta-feira (11) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), registram encontros em residências, convites pessoais e tratamento de “amigo” e “irmão” entre os dois .

A Polícia Federal relaciona parte dessas reuniões à cronologia dos aportes do Rioprevidência no Banco Master. Segundo relatório da PF, em 12 de maio de 2023, o cartão de crédito de Vorcaro registrou o pagamento de US$ 13.313,00 (cerca de R$ 66 mil) no restaurante Nusr-Et, em Nova York. Um minuto após a aprovação da transação, Castro enviou mensagem ao banqueiro: “Amigo, foi uma experiência incrível” .

Aportes milionários e coincidência temporal

Um ano depois, em maio de 2024, Vorcaro organizou novo jantar no mesmo local, pedindo reservadamente que a mesa fizesse pedidos da “carne de ouro” e de vinhos Vega-Sicilia Único e champanhes Dom Pérignon e Cristal. No mesmo período, Castro confirmou presença em uma degustação privada de uísques no The Carnegie Club, evento que custou US$ 1,02 milhão (R$ 5,2 milhões) .

Os investigadores da PF destacam que as trocas de mensagens — nas quais o tratamento evoluiu de “amigo” para “irmão” e incluía convites para churrascos, camarotes e encontros na residência oficial do Palácio das Laranjeiras — coincidiram temporariamente com o direcionamento de R$ 2,98 bilhões do fundo de previdência dos servidores fluminenses (Rioprevidência) para papéis e fundos do Banco Master .

A investigação aponta que, em uma das mensagens, Vorcaro convidou Castro para uma degustação de uísque em Nova York, em maio de 2024. No dia seguinte ao encontro, a Rioprevidência aplicou R$ 80 milhões no Master. Segundo os investigadores, outros dois aportes ocorreram na sequência, nos valores de R$ 80 milhões e R$ 70 milhões. A Polícia Federal destacou a “coincidência” temporal entre os encontros e as movimentações financeiras posteriores .

O método Vorcaro: gastos milionários com autoridades

A dimensão dos gastos de Vorcaro com autoridades é revelada por um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central, com informações fornecidas por instituições financeiras. Os documentos mostram que o ex-banqueiro gastou US$ 55,3 milhões em menos de um ano na Signature Luxury Services LLC, empresa especializada em turismo e eventos ultrapremium .

Entre as viagens financiadas por Vorcaro destacam-se a ida a Nova York em maio de 2024 para o evento “Person of the Year” — com hospedagem no Park Hyatt e jantares exclusivos — e as férias na estação de esqui de Courchevel, na França, em janeiro de 2025, totalizando ao menos R$ 468 mil em benefícios econômicos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) .

A PF também detalhou viagens pagas por Vorcaro para o senador Ciro Nogueira. Na primeira, para Nova York, foram reservadas suítes no hotel Park Hyatt entre os dias 11 e 15 de maio de 2024, para Vorcaro e convidados, incluindo Ciro e o ex-ministro Fábio Faria. Os custos de hospedagem na suíte “royal” foram de US$ 47,7 mil, o equivalente a R$ 245,1 mil .

LEIA TAMBÉM:  Mensagens apontam encontro de Vorcaro com Mendonça em São Paulo

Estrutura paralela de vigilância

A investigação também revelou que o grupo de Vorcaro mantinha uma estrutura paralela de vigilância, milícia e coerção privada, chamada de “A Turma”. De acordo com um relatório da PF datado de 27 de fevereiro deste ano, o ex-banqueiro pagava R$ 1 milhão por mês para manter a estrutura, que realizava acesso “recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na PF, na Polícia Civil e no Banco Central” .

O que dizem os envolvidos

O ex-governador Cláudio Castro não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O senador Ciro Nogueira nega irregularidades. Em nota ao Valor Econômico, o senador afirmou que “a operação possui natureza privada e regular, tendo sido integralmente suportada com recursos próprios, de origem lícita” .

A defesa de Daniel Vorcaro não foi localizada para comentar as informações divulgadas até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Contexto: a liquidação do Banco Master

A investigação da Operação Compliance Zero corre em paralelo ao processo de liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo S.A., decretado pelo Banco Central em março de 2026. A medida encerrou o regime especial que tentava manter a instituição em funcionamento desde novembro de 2025 .

A liquidação foi determinada após a Will Financeira, principal empresa ligada ao banco, também entrar em liquidação em janeiro deste ano. Sem essa estrutura, o relatório final do Banco Central apontou que não havia mais condições de continuidade. A autoridade monetária mantém o bloqueio de bens dos controladores e administradores e segue investigando possíveis irregularidades .

Referências


[1] ICL Notícias — PF mapeia jantares de luxo em NY e revela que Castro chamava Vorcaro de ‘irmão’.

[2] BPMoney — PF apura viagens, encontros e jantar de luxo entre Castro e Vorcaro antes de aportes no Master.

[3] Valor Econômico — Vorcaro gastou US$ 55 milhões em turismo de luxo em um ano, mostra relatório do Coaf.

[4] CNN Brasil — PF detalha viagens pagas por Vorcaro para Ciro com hospedagem “royal”.

[5] O Povo — Grupo de Vorcaro tinha informações do MPF, da PF e até da Interpol.

[6] Agência Brasil — Vorcaro sabia de investigação semanas antes de prisão, indica PF.

[7] iG Economia — Banco Central manda liquidar banco do grupo Master.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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