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Operação Compliance Zero: Por Dentro do Maior Escândalo Bancário do Brasil

Por Stephanie Paixao • 19 de junho de 2026

A Operação Compliance Zero é uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre o que a mídia denominou como o “escândalo do Banco Master“, considerada por especialistas como a maior fraude bancária já registrada no país. O nome da operação deriva do fato de que, embora as movimentações financeiras da instituição fossem tecnicamente reguladas, auditadas e supervisionadas, elas não estavam sujeitas a nenhum mecanismo real de controle interno.

O termo ilustra um cenário no qual o sistema de conformidade (compliance) era apenas de fachada, permitindo evasões sistêmicas e fraudes bilionárias que ignoravam os controles institucionais.

O que desencadeou a investigação

As irregularidades no Banco Master chamaram a atenção das autoridades em 2023, resultando na abertura de inquéritos pela Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (DELECOR) em São Paulo. Em março de 2024, o delegado federal Gleydson Machado Calheiros enviou um pedido de esclarecimentos ao Banco Central (BC) sobre as supostas ilicitudes.

As investigações iniciais focaram na suspeita de gestão fraudulenta e no uso de uma complexa cadeia de operações societárias e de valores mobiliários. O fluxo utilizava recursos originados na empresa Aventtti Strategic Partners, sediada nas Bahamas, um conhecido paraíso fiscal. Essa estrutura teria sido montada especificamente para ocultar o real fluxo de capital e os verdadeiros beneficiários do negócio.

Embora o BC tenha inicialmente informado, em julho de 2024, que não via necessidade de procedimentos administrativos, as apurações prosseguiram a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

Cenário Geral da Operação

A investigação está estruturada em múltiplas fases totalizando nove até junho de 2026 e revela um esquema de corrupção que permeia os três poderes da República.

  • 1ª Fase (18/11/2025): Deflagração oficial com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos e de seu então sócio, Augusto Lima. Investigou-se gestão fraudulenta e organização criminosa. Ações: Cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em SP, RJ, MG, BA e DF.
  • 2ª Fase (14/01/2026): Focada em fundos de investimento usados para ocultar prejuízos. Bloqueou R$ 5,7 bilhões e teve como alvos o empresário Nelson Tanure (investigado por parcerias societárias suspeitas com o grupo) e o pastor Fabiano Zettel. Ações: 42 mandados de busca e apreensão.
  • 3ª Fase (04/03/2026): Daniel Vorcaro foi preso novamente por ordem do STF. Houve um bloqueio recorde de R$ 22 bilhões em ativos ligados ao grupo investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Ações: 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão.
  • 4ª Fase (16/04/2026): Prisão de Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e do advogado Daniel Monteiro, apontado como o operador financeiro dos pagamentos de Vorcaro. Ações: Dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão no DF e em SP.
  • 5ª Fase (07/05/2026): O senador Ciro Nogueira tornou-se alvo, suspeito de receber vantagens mensais para atuar legislativamente a favor do banco. O primo de Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, foi preso. Ações: Um mandado de prisão e dez de busca e apreensão no PI, SP, MG e DF.
  • 6ª Fase (14/05/2026): Foco na ala apelidada de “A Turma”, acusada de intimidação, espionagem e hacking. O pai de Daniel, Henrique Moura Vorcaro, foi preso, além de um agente da PF na ativa. Ações: Sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão.
  • 7ª Fase (19/05/2026): Apuração de vazamentos internos de informações sigilosas da própria PF para os investigados. Ações: Dois mandados de busca e apreensão em Porto Velho (RO) e afastamento de servidores.
  • 8ª Fase (26/05/2026): Investigação sobre o direcionamento ilegal de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos do Banco Master. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi um dos principais alvos. Ações: Dez mandados de busca e apreensão no RJ e no DF.
  • 9ª Fase (18/06/2026): Mira o senador Jaques Wagner (Líder do Governo no Senado) e o banqueiro Augusto Lima. Suspeita-se do recebimento de propina por meio de imóveis de luxo e vantagens indevidas em troca de atuação política. Ações: 18 mandados de busca e apreensão na BA, SP e DF.

Núcleos envolvidos na organização criminosa

Núcleo Empresarial (Banqueiros e Controladores)

  • Daniel Vorcaro: Dono do Banco Master e apontado como o líder da organização criminosa.
  • Augusto Ferreira Lima: Ex-sócio do Master e ligado ao Banco Pleno; apontado como elo financeiro no núcleo político.
  • Nelson Tanure: Investidor suspeito de injetar e ocultar recursos no ecossistema de fundos do banco.
  • Henrique Moura Vorcaro: Pai de Daniel, apontado como beneficiário e operador financeiro.

Núcleo Político (Agentes Públicos)

  • Jaques Wagner (PT-BA): Investigado na 9ª fase por suposta atuação parlamentar favorável aos interesses do banco.
  • Ciro Nogueira (PP-PI): Investigado na 5ª fase por suposta edição de emendas favoráveis ao banco em troca de vantagens econômicas.
  • Cláudio Castro (PL-RJ): Investigado na 8ª fase por suposta facilitação de aportes fraudulentos do fundo Rioprevidência.
  • Paulo Henrique Costa: Ex-presidente do BRB, suspeito de autorizar operações financeiras irregulares bilionárias para tentar salvar a instituição da liquidação.

Núcleo de Operadores e “Laranjas”

  • Daniel Monteiro: Advogado e articulador jurídico do esquema, apontado como operador de propinas.
  • Fabiano Zettel: Pastor e cunhado de Vorcaro, suspeito de repassar pagamentos e orientar o núcleo de intimidação.
  • Luiz Phillipe Mourão (“Sicário”): Integrante da segurança privada do grupo, acusado de espionagem. Faleceu na carceragem da PF em Belo Horizonte.
  • Felipe Cançado Vorcaro: Primo de Daniel, suspeito de gerenciar as vantagens destinadas ao núcleo político.
  • Rodrigo Pimenta Franco: Hacker responsável por monitoramento telemático e invasões ilegais.

Núcleo Institutional

  • Belline Santana e Paulo Sérgio Neves: Servidores do Banco Central que atuavam como consultores informais de Vorcaro, vazando dados sob sigilo.
  • Agentes e Peritos da PF: Membros da corporação investigados por fornecer relatórios e alertar os alvos sobre o andamento das investigações.

Em resumo, a operação revelou fraudes que consistiam na criação de carteiras de crédito inexistentes e fluxos bilionários de lavagem de dinheiro, contando com a proteção e a blindagem de agentes corrompidos nas mais altas esferas de fiscalização e do poder público.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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