Durante a cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, uma conversa informal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, acabou sendo captada pelos microfones da transmissão oficial do evento. No diálogo, Lula afirmou que nunca se considerou um político de esquerda tradicional.
“Eu nunca fui esquerdista.”
A declaração foi feita enquanto o presidente aguardava o início de uma das sessões de trabalho ao lado de Georgieva e do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz.
Mercado temia um governo mais à esquerda
O tema surgiu após Kristalina Georgieva recordar a primeira eleição presidencial de Lula, em 2002. Segundo ela, naquele momento havia preocupação entre agentes do mercado financeiro e organismos internacionais de que o novo governo adotasse uma linha econômica mais radical, cenário que, na avaliação da dirigente, não se concretizou.
Ao responder, Lula defendeu uma posição de equilíbrio e afirmou que a política mundial não deve ser compreendida apenas pela divisão entre direita e esquerda.
“O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade.”
Lula relembra trajetória sindical
Para explicar sua posição, o presidente citou sua atuação como líder sindical no ABC paulista, durante a década de 1980.
Lula afirmou que chegou a ser convidado para participar de um congresso operário na União Soviética, mas foi impedido de viajar porque respondia a processos baseados na Lei de Segurança Nacional, durante o regime militar brasileiro.
Em seguida, relatou que buscou apoio político e sindical em países da Europa Ocidental e que, por essa atuação, passou a ser visto por alguns setores como anticomunista.
“Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista.”
O presidente também destacou sua relação com organizações sindicais europeias.
“Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a Espanha.”
Declaração repercute no cenário político
A afirmação de que “nunca foi esquerdista” rapidamente repercutiu nas redes sociais e no meio político brasileiro, por partir do principal nome do PT, partido historicamente identificado com a esquerda.
A conversa ocorreu durante um momento informal da programação do G7, mas acabou sendo registrada pelos microfones da transmissão oficial, tornando-se um dos assuntos mais comentados relacionados à participação brasileira no encontro.
A fala também reforçou um discurso já adotado por Lula em diferentes momentos de sua trajetória política, no qual destaca a negociação, o diálogo e a construção de consensos como elementos centrais de sua atuação pública.
*Aviso editorial: A imagem de capa desta reportagem foi criada com o auxílio de inteligência artificial e possui caráter meramente ilustrativo, sendo utilizada para representar visualmente o tema abordado na matéria.

