Justiça

Nunes Marques propõe selo de acurácia para institutos de pesquisa no TSE

Ministro Kassio Nunes Marques

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou uma proposta para criar o “Selo Acurácia Eleitoral”, uma premiação destinada aos institutos de pesquisa cujos levantamentos mais se aproximarem do resultado oficial das urnas. A minuta do projeto foi entregue a representantes de 16 empresas do setor em reunião na sede da Corte, em Brasília.

Detalhes da Proposta e Critérios

A premiação, prevista para anos de eleições gerais, contempla pesquisas para presidente e governador realizadas nos sete dias anteriores ao pleito ou levantamentos de boca de urna. De acordo com o documento, o objetivo é incentivar o aprimoramento metodológico e conferir visibilidade às entidades com melhor desempenho técnico.Os institutos de pesquisa têm até sexta-feira (17) para enviar contribuições e sugestões sobre a minuta. O anúncio ocorre um mês após o ministro suspender individualmente a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel, que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), decisão que gerou críticas de entidades do setor.

Reação dos Institutos e Especialistas

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) e a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) manifestaram oposição à medida. As entidades afirmam que pesquisas medem a intenção de voto no momento da coleta e não devem ser tratadas como instrumentos de previsão. Em nota, a Abep declarou que “exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”.O Conselho Federal de Estatística (Confe) também criticou a iniciativa, alertando para o risco de “convergência artificial” entre os institutos na reta final das campanhas. Especialistas ouvidos pelo Nexo Jornal apontam que o critério de proximidade numérica ignora margens de erro e mudanças de comportamento do eleitorado entre a entrevista e a votação.

Contexto e Situação na Corte

A proposta de Nunes Marques perdeu força entre os demais ministros do TSE nos últimos dias. Segundo interlocutores da Corte, não há consenso sobre a competência do tribunal para atuar como árbitro da qualidade técnica das pesquisas. Diante das resistências, o ministro passou a defender um modelo alternativo focado na transparência, com o preenchimento de formulários detalhando o perfil metodológico e a origem do financiamento dos levantamentos.A decisão individual que suspendeu a pesquisa da AtlasIntel em junho segue vigente, aguardando a retomada do julgamento pelo plenário, que foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha.


O TSE deve analisar as contribuições enviadas pelos institutos na próxima semana antes de decidir se levará a minuta do selo de acurácia para votação em plenário ou se optará por um novo modelo de registro de pesquisas.

Redes sociais
Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

Deixe uma resposta