Seul — 6 de agosto de 2026
A Administração Aeroespacial da Coreia do Sul (Kasa) divulgou nesta quinta-feira (6) as primeiras imagens do impacto de um estágio do foguete Falcon 9, da SpaceX, contra a superfície da Lua, ocorrido na madrugada de quarta-feira (5) perto da cratera Einstein.
Sonda Danuri registrou oito passagens sobre o local do impacto
As imagens foram captadas pela sonda lunar sul-coreana Danuri (KPLO), que teve a trajetória ajustada para sobrevoar a região do impacto. Segundo a Kasa, o equipamento registrou uma imagem cerca de 30 minutos antes da colisão e mais sete observações nas horas seguintes, totalizando oito passagens, com o uso de uma câmera infravermelha de alta resolução (Luti) e uma câmera de polarização de campo amplo (PolCam).
Os registros mostram uma sombra escura e uma formação radial na superfície lunar, sinais típicos de uma explosão de impacto, além de alterações na topografia do terreno e dispersão de material ejetado pela colisão. A agência espacial coreana descreveu a captação das imagens como uma oportunidade valiosa para estudar as transformações na superfície da Lua provocadas pelo choque.
Fragmento tinha 4 toneladas e vagava no espaço desde 2025
O objeto que atingiu a Lua era o segundo estágio de um foguete Falcon 9, do tamanho aproximado de um ônibus espacial e com massa de cerca de 4 toneladas métricas. Ele havia sido lançado em janeiro de 2025, na mesma missão que levou ao espaço os módulos lunares Blue Ghost, da empresa americana Firefly Aerospace, e Hakuto-R, da companhia japonesa iSpace, e permaneceu à deriva no espaço por mais de um ano e meio antes de colidir com a superfície lunar.
A colisão ocorreu a uma velocidade aproximada de 8.700 km/h, nas proximidades das crateras Einstein e Bell, na borda oeste da Lua — área de difícil observação a partir da Terra. Segundo a SpaceX, o impacto foi acidental. Nenhuma das poucas espaçonaves em órbita lunar estava posicionada para registrar o momento exato da colisão, e o breve clarão do choque, com menos de um segundo de duração, foi tênue demais para ser observado a olho nu.
Estimativas apontam cratera de até 30 metros de diâmetro
Cientistas da Kasa e da Nasa avaliam que a colisão deixou uma nova cratera na superfície lunar, com diâmetro estimado inicialmente entre 18 e 30 metros e profundidade de cerca de 3,5 metros — dimensões ainda pequenas demais para serem claramente distinguidas nas imagens já divulgadas.
Não é a primeira vez que destroços espaciais atingem a Lua. Em 2022, um estágio de um foguete chinês colidiu com o lado oculto do satélite natural, deixando uma cratera dupla. Peças de foguetes, sondas desorientadas e meteoroides colidem com a superfície lunar há séculos.
Lunar Reconnaissance Orbiter da Nasa deve sobrevoar o local
A Nasa prevê uma nova passagem de observação do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) sobre o ponto de impacto, para complementar a análise já feita com base nas imagens da sonda Danuri. Os dados coletados devem servir de base científica para o planejamento de um estudo mais detalhado do local nas próximas semanas.

