O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação de pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontou queda de cinco pontos nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão liminar será submetida a referendo do plenário do tribunal nesta terça-feira (9).
Leia a decisão
PL Alegou que Perguntas Induziam Respostas Negativas sobre o Senador
O Partido Liberal (PL) entrou com representação no TSE alegando que o questionário da AtlasIntel, aplicado a 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, continha perguntas indutoras para gerar uma narrativa negativa contra Flávio Bolsonaro. A divulgação do levantamento ocorreu após o vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo o PL, das 49 perguntas do questionário, oito envolviam diretamente o Banco Master e foram apresentadas em sequência, influenciando a percepção dos entrevistados. A legenda argumentou que o áudio vazado não poderia ser usado na pesquisa porque não tem prova de autenticidade.
Entre as perguntas consideradas indutoras pelo partido estão:
- “Entre Lula e Flávio Bolsonaro, em quem você confia mais para administrar cada uma das seguintes áreas de governo?”
- “Pensando no futuro do país no contexto das eleições presidenciais deste ano, qual dos seguintes resultados possíveis te causa mais medo ou preocupação?”
- “Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?”
- “Você ficou sabendo do áudio e mensagens vazadas de supostas conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do banco Master?”
O PL argumentou que a sequência foi “arquitetada para produzir efeitos de priming, framing e ancoragem”, transformando a pesquisa em um instrumento de “propaganda negativa”.
Ministro Aponta Indícios de “Contaminação Metodológica”
Em sua decisão, Nunes Marques afirmou que há indícios de “contaminação metodológica” no levantamento. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, escreveu o ministro.
O presidente do TSE destacou que outras 27 pesquisas feitas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada e nem veicularam áudio.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, afirmou.
O ministro ressaltou que a suspensão não indica perigo caso posteriormente se verifique a regularidade metodológica do levantamento. A AtlasIntel terá que enviar ao TSE documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, esclarecendo o uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também vai se manifestar no processo.
Nunes Marques Assumiu Relatoria de Casos Envolvendo Flávio Recentemente
Na semana passada, Nunes Marques assumiu a relatoria de representações eleitorais envolvendo Flávio Bolsonaro e o caso Banco Master no TSE. Entre os processos sob sua relatoria estão pelo menos três casos de grande repercussão, relacionados ao Banco Master, ao vazamento de conversas entre Vorcaro e Flávio, além da produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Antes de passar a atuar nos processos, Nunes Marques designou a si mesmo e ao vice-presidente do TSE, André Mendonça, como juízes auxiliares para as eleições de 2026. A medida, formalizada em portaria publicada em 22 de maio, foge ao padrão adotado pela Corte, onde a função costuma ser exercida por ministros juristas ou por ministros substitutos.
A ação contra o instituto AtlasIntel foi encaminhada ao gabinete de Nunes Marques em 19 de maio, três dias antes da publicação da portaria que incluiu a Presidência do TSE entre os integrantes do juízo auxiliar. No próprio dia da publicação, Nunes Marques determinou que a Secretaria Judiciária promovesse uma nova distribuição do processo entre os juízes auxiliares. Três dias depois, em 25 de maio, a ação voltou a ser sorteada e permaneceu sob sua relatoria.
Pesquisa Apontava Queda de Cinco Pontos em Cenário de Segundo Turno
A pesquisa suspensa foi realizada entre 13 e 18 de maio, com 5.032 eleitores em todo o país. A margem de erro era de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento apontava que Flávio Bolsonaro havia caído cinco pontos nas intenções de voto em relação à pesquisa anterior, em um cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A divulgação do levantamento ocorreu após o vazamento de áudios nos quais o senador aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso afetou a pré-campanha de Flávio, que registrou queda nas pesquisas de intenção de voto em maio.
A decisão liminar de Nunes Marques será submetida a referendo do plenário do TSE na sessão desta terça-feira (9). O instituto AtlasIntel deverá apresentar documentação técnica complementar sobre sua metodologia. O Ministério Público Eleitoral também se manifestará no processo. Caso o plenário confirme a suspensão, a pesquisa não poderá mais ser divulgada. Caso contrário, o levantamento poderá ser restabelecido.

