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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participa da 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O principal compromisso será o discurso de abertura do debate geral, na terça-feira (22), quando tradicionalmente o Brasil é o primeiro chefe de Estado a falar. A prática é mantida desde 1955.
Agenda oficial
A agenda presidencial em Nova York prevê:

O tema da sessão deste ano é “Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos” . A assembleia será presidida pelo chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman.
O que Lula deve dizer
Segundo fontes diplomáticas, o discurso de Lula deve ressaltar a importância do multilateralismo em um cenário marcado pela multiplicação de conflitos internacionais. O presidente também deverá defender a negociação como caminho para a solução de disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países .
A reforma das Nações Unidas, em particular de seu Conselho de Segurança, deve estar entre os temas abordados. O Brasil defende há anos a atualização da composição e do funcionamento do órgão e critica sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.
- Combate ao crime organizado transnacional, diante das recentes acusações de Trump contra o Brasil
- Efeitos das guerras sobre a economia mundial, incluindo produção e preço dos alimentos
- Avanço da corrida armamentista e disputa por recursos naturais estratégicos
- COP30 e o modelo brasileiro de desenvolvimento sustentável
· Regulação das plataformas digitais, com referências ao ECA Digital e à proteção de crianças e mulheres - Defesa das instituições e rejeição a interferências estrangeiras nos assuntos domésticos, sem mencionar diretamente a crise entre ministros do STF
O próprio presidente antecipou parte da mensagem que pretende levar à ONU. Em ato em Ceilândia (DF), na última quarta-feira, Lula afirmou que pretende dizer a Trump que ele “não se meta nas eleições do Brasil” .
Encontro com o prefeito de Nova York
Na segunda-feira (21), Lula deverá se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O encontro foi solicitado pelo próprio prefeito e está previsto para ocorrer na residência oficial do embaixador do Brasil junto à ONU, onde Lula ficará hospedado.
Mamdani é uma das principais lideranças da esquerda americana e mantém divergências públicas com Trump. A reunião será o principal compromisso político de Lula fora da sede da ONU durante a passagem pela cidade.
Possível encontro com Trump
Não há previsão de uma reunião bilateral entre Lula e Donald Trump. O Palácio do Planalto não confirmou nenhum pedido de encontro formal de nenhum dos lados. No entanto, como Lula fará o primeiro discurso e Trump falará logo depois, os dois podem se encontrar informalmente nos corredores da ONU e trocar algumas palavras, como ocorreu no ano passado, quando conversaram por cerca de 39 segundos antes da fala do presidente americano. Esse tipo de contato rápido não é considerado uma bilateral, que exigiria mais tempo, pauta definida e participação de assessores.
Delegação brasileira
Após o encerramento da agenda de Lula, o presidente retorna ao Brasil, mas o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece em Nova York ao longo da semana para participar de uma série de compromissos representando o Brasil. A delegação brasileira também deve participar de reuniões do Conselho de Segurança da ONU, entre elas uma dedicada à situação na Palestina, além de eventos sobre direito internacional e outros temas da agenda multilateral.
Entre os integrantes da delegação brasileira estão:
- Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
- João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima
- Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social
- Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
- Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas
- Rachel Barros, ministra da Igualdade Racial
- Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial da Presidência
Contexto
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia-Geral da ONU como presidente da República. Em seus três mandatos, ele só não compareceu em 2010, quando o país foi representado pelo então chanceler Celso Amorim.
Lula recebeu ao menos 30 pedidos de reuniões bilaterais com chefes de Estado, mas deve atender a poucos por falta de espaço na agenda e pela logística de segurança na região da assembleia.
Após o discurso na terça-feira (22), Lula retorna ao Brasil. Mauro Vieira e outros ministros permanecem em Nova York para a continuidade dos trabalhos da Assembleia-Geral, que se estende ao longo da semana.
Referências
[1] G1 — Lula embarca neste domingo para Nova York para Assembleia Geral da ONU. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/20/lula-embarca-neste-domingo-para-nova-york-para-assembleia-geral-da-onu.ghtml
[2] Agência Brasil — ONU: Lula apoiará multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-09/onu-lula-apoiara-multilateralismo-e-reforma-do-conselho-de-seguranca
[3] O Globo — Lula viaja neste domingo aos EUA para discursar na ONU, sem previsão de encontro com Trump. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/09/20/lula-viaja-neste-domingo-aos-eua-para-discursar-na-onu-sem-previsao-de-encontro-com-trump.ghtml
[4] CNN Brasil — Lula embarca neste domingo rumo a Nova York para Assembleia Geral da ONU. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/lula-embarca-neste-domingo-rumo-a-nova-york-para-assembleia-geral-da-onu/
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem comunicados oficiais do Palácio do Planalto e do Itamaraty, reportagens de veículos de imprensa e declarações públicas do presidente Lula. A agenda de Lula em Nova York pode sofrer alterações de última hora por questões logísticas ou diplomáticas. O conteúdo do discurso ainda está em elaboração e não foi divulgado oficialmente na íntegra. A possibilidade de um encontro entre Lula e Donald Trump não está confirmada por nenhuma das partes. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

