Brasil

Marco Rubio responde a Flávio Bolsonaro e mantém tarifas dos EUA ao Brasil.

Por Luiz Gomes • 26 de junho de 2026

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu a uma carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e defendeu a aplicação de tarifas de 25% sobre importações de produtos brasileiros. O documento, datado de 23 de junho, foi divulgado pela campanha do pré-candidato ao Palácio do Planalto nesta sexta-feira (26).

Na resposta, Rubio afirmou que a decisão dos EUA decorre de uma investigação iniciada em julho de 2025 por orientação do presidente Donald Trump, que identificou políticas brasileiras consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” em áreas como comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais injustas, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual e desmatamento ilegal.


Tradução da Carta

SECRETÁRIO DE ESTADO
Washington

23 de junho de 2026

Ao Excelentíssimo

Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil
Senado Federal – Anexo I – 17º Andar
Brasília – DF, 70165-900

Prezado Senador Bolsonaro,

Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho de sua convicção de que a duradoura amizade entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer alicerçada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Agradeço profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados, de acordo com a legislação dos Estados Unidos. Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança dos cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional.

Como o senhor observou, o Representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, anunciou em 1º de junho de 2026 sua conclusão de que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são irrazoáveis ou discriminatórios e impõem ônus ou restrições ao comércio dos Estados Unidos. Ele propôs medidas de resposta para consulta pública. Essa conclusão e as medidas propostas decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação específica do Presidente Trump.

O embaixador Greer deixou claro que continuamos tendo divergências substanciais na resolução das questões identificadas nessa investigação. Essas questões dizem respeito ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas injustas, aplicação das leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública sobre as medidas propostas e da audiência pública que será realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos em 6 de julho de 2026. O período de consulta pública permanece aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para participar da audiência deveriam ter sido apresentados até 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável. Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para promover um marco de comércio e investimentos amplo, justo e mutuamente benéfico.

Espero dar continuidade ao nosso diálogo e aprofundar a parceria estratégica entre nossas duas grandes nações.

Que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

Marco Rubio

Flávio havia pedido que EUA poupassem o Brasil

No início de junho, após visita à Casa Branca em maio, Flávio Bolsonaro enviou uma carta a Rubio pedindo que os EUA não impusessem novas tarifas sobre produtos brasileiros. O senador argumentou que o Brasil “atravessa uma grave deterioração fiscal e econômica” e que a medida causaria “sérios danos ao povo brasileiro”.

“A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro, os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo”, escreveu Flávio. Na mesma carta, o senador agradeceu a decisão do governo Trump de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras, classificando a medida como “um passo decisivo para a proteção dos cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério”.

Rubio agradece apoio sobre PCC e CV e fala em “cidadãos honestos”

Em sua resposta, Rubio agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à classificação das facções brasileiras como terroristas, afirmando que os EUA reconhecem que a violência e as redes criminosas dessas facções “ameaçam a segurança dos cidadãos honrados em todo o nosso hemisfério comum”. O secretário destacou que, ao atacar as redes financeiras, de drogas e de armas, os EUA estão tomando “medidas decisivas” para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano contra o crime organizado transnacional.

A decisão de classificar PCC e CV como terroristas foi oficializada em 5 de junho e marcou a maior derrota do governo Lula na relação com os EUA desde o tarifaço de 2025.

Menção às eleições e audiência pública em julho

Rubio também mencionou o “otimismo” de Flávio Bolsonaro sobre as eleições presidenciais de outubro e revelou que o senador ofereceu uma “equipe de transição” para ficar à disposição dos EUA caso seja eleito. O secretário afirmou que os EUA estão prontos para trabalhar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar “um quadro de comércio e investimento abrangente, justo e mutuamente benéfico”.

O secretário informou ainda que uma audiência pública sobre as tarifas está marcada para 6 de julho, e que qualquer parte interessada poderia participar, desde que os pedidos tivessem sido apresentados até 22 de junho. A audiência faz parte do processo de consulta pública antes da adoção definitiva de qualquer medida.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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