O caso envolvendo o atual deputado estadual do Paraná Denian Couto Coelho (jornalista e professor de Direito), atualmente filiado ao PL, refere-se a um escândalo que estourou originalmente em março de 2019 e que, agora, em 2026, completando cerca de sete anos do ocorrido, volta à tona devido à sua atuação e trânsito político.
Na época, em março de 2019, o então jornalista Denian Couto Coelho era uma personalidade popular e influente, sendo apresentador e comentarista da RIC TV, afiliada da Record TV no Paraná, e da rádio Jovem Pan, em Curitiba. Ele estava noivo da também jornalista Giulliane Kuiava.

O caso tornou-se público após uma reportagem do The Intercept Brasil revelar que, após o término do noivado, motivado por diversas descobertas de traições, Denian Couto Coelho reagiu de forma extremamente agressiva durante uma ligação telefônica com Giulliane.
A jornalista gravou a chamada e, no áudio vazado, Denian aparece visivelmente alterado e aos berros, proferindo frases consideradas misóginas e violentas, como:
“Cala a boca que eu vou te matar. Eu vou te matar se você não calar a sua boca.”
Após a repercussão do áudio, vieram diversas consequências imediatas, incluindo sua demissão do grupo RIC TV, após forte pressão de entidades de classe, como o Sindicato dos Jornalistas do Paraná.
Medidas protetivas e outras denúncias
Outras denúncias feitas por ex-companheiras e ex-alunas também vieram à tona. A Justiça chegou a conceder medidas protetivas à jornalista e, paralelamente à repercussão da reportagem e das investigações, surgiram relatos de que outras ex-companheiras e ex-alunas também o acusavam de comportamentos abusivos, agressões verbais e ameaças.
Na esfera criminal, a defesa do jornalista conseguiu reverter as medidas protetivas, e o inquérito acabou sendo arquivado. Denian Couto Coelho alegou publicamente que a gravação ocorreu em um momento de forte emoção, afirmando que teria sido colocado em uma situação planejada para tirá-lo do sério.
Por que o caso voltou à tona recentemente, após sete anos?
O áudio e o histórico de acusações de violência doméstica costumam ressurgir principalmente durante debates públicos. Isso ocorre por alguns motivos principais.
Ascensão política e mudança de partido
Apesar do escândalo que custou sua carreira na televisão em 2019, Denian Couto Coelho migrou com sucesso para a política institucional. Ele conseguiu se eleger vereador de Curitiba, em 2020, pelo Podemos, e, posteriormente, foi eleito deputado estadual do Paraná em 2022.

Recentemente, sua filiação ao Partido Liberal (PL) reacendeu os holofotes sobre seu passado. Opositores políticos e movimentos de defesa dos direitos das mulheres passaram a resgatar o áudio para questionar sua presença no partido e sua atuação na vida pública.
Nomeações para cargos públicos
Sempre que Denian Couto Coelho é cotado para cargos de liderança, como ocorreu quando assumiu temporariamente funções de articulação ou secretarias de comunicação, federações de jornalistas e comissões de defesa dos direitos das mulheres costumam emitir notas públicas de repúdio. Nessas ocasiões, o áudio volta a circular nas redes sociais e nas discussões públicas como forma de denunciar o que essas entidades classificam como um possível pacto de impunidade.

No momento, Denian Couto Coelho anunciou oficialmente sua filiação ao PL e estruturou seu projeto de reeleição. O parlamentar pretende disputar a continuidade de seu mandato como deputado estadual do Paraná nas próximas eleições.

