Estados Unidos e Irã assinaram nesta quarta-feira (17) um acordo de paz que prevê o fim imediato das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a reabertura do Estreito de Ormuz. O documento, assinado remotamente pelos presidentes Donald Trump e MasoudPezeshkian, abre um período de 60 dias para negociações definitivas sobre o programa nuclear iraniano.
O acordo, dividido em 14 pontos, também estabelece um programa de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã, a liberação de fundos iranianos congelados no exterior e o fim das sanções econômicas, permitindo que o país volte a comercializar petróleo sem restrições. O governo suíço anunciou que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reunirão nesta sexta-feira (19) em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo.
Impacto nos preços do petróleo e nos subsídios no Brasil
A perspectiva de paz no Oriente Médio reduziu os temores do mercado sobre interrupções no fornecimento global de petróleo. O barril do Brent, referência internacional, recuou cerca de 5% e passou a ser negociado abaixo de US$ 80, o menor patamar em meses.
No Brasil, o governo federal avalia suspender os subsídios aos combustíveis caso a queda dos preços internacionais se confirme. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que “a tendência é que o subsídio vá acabando”. Atualmente, o governo concede subvenção de R$ 1,12 por litro para o diesel e de R$ 0,44 por litro para a gasolina.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que, com a assinatura do acordo, o governo retirará da tramitação na Câmara o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114, que previa medidas para reduzir a carga tributária sobre combustíveis. “Se o acordo de paz for assinado, nós retiraremos da tramitação na Câmara o PLP 114. Isso vai ser um alívio muito grande”, afirmou.

Reações e próximos passos
O acordo final sobre a questão nuclear ainda depende de novas negociações e deverá ser ratificado por uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não imporão novas sanções nem mobilizarão forças adicionais na região.
O presidente Trump expressou satisfação, mas renovou ameaças: “Se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças.” Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou: “Estamos com o dedo no gatilho. Meu pessimismo e desconfiança em relação aos Estados Unidos são máximos.”
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, saudou o acordo, chamando-o de “um bom acordo”. Este é o primeiro acordo assinado por um presidente americano e um presidente iraniano desde a fundação da República Islâmica em 1979.
Mercados reagem com otimismo cauteloso
Os mercados financeiros reagiram positivamente ao acordo, mas com cautela. As ações da Petrobras caíam cerca de 1,5% nesta quinta-feira (18), refletindo a queda do petróleo. O banco Goldman Sachs prevê que as exportações de petróleo do Golfo Pérsico retornarão aos níveis pré-conflito até o fim de julho, mas alerta que muitas embarcações ainda devem ter cautela para atravessar o Estreito de Ormuz.
O estrategista global do Deutsche Bank, Jim Reid, observou que seriam necessárias aprovações do Senado dos EUA para o alívio das sanções, o que pode ser um desafio. “Embora o acordo seja uma notícia muito boa para os mercados, parece que conversas difíceis terão de ocorrer na janela de 60 dias para garantir que a paz seja sustentável”, escreveu.

