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Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas ligadas ao Banco Master; senador nega irregularidades

Por Luiz Gomes • 22/07/2026 às 19:06:41

O escritório de advocacia do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), do qual ele é o único sócio, emitiu três notas fiscais totalizando R$ 1,5 milhão em abril de 2025 para empresas conectadas à estrutura de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A revelação foi feita pelo Metrópoles nesta quarta-feira (22) e teve ampla repercussão.



Duas notas, de R$ 500 mil cada, foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. — descrita como uma empresa de fachada usada por Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Master — e foram canceladas no mesmo dia. Dois dias depois, em 9 de abril, uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa, empresa de contabilidade de Rogério Lourenço Novo, e permanece ativa sem registro de cancelamento.

Empresas ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo

As duas empresas têm um forte elo: o contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece na Receita Federal como o único diretor responsável pela Copenhagen e como único sócio da Contábil Correa. Novo também é membro do conselho fiscal da Ambipar, outra empresa da teia de Vorcaro.

A Copenhagen, criada em novembro de 2024 com capital de apenas R$ 40, recebeu R$ 58 milhões de Daniel Vorcaro. Não possui sede própria nem site — está registrada no endereço da Contábil Correa, em São Caetano do Sul (SP). A empresa pertence, no papel, ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, que é investigada pela PF por movimentar e ocultar patrimônio do grupo de Vorcaro.

Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela Polícia Federal por supostamente operar um esquema de notas fiscais falsas de empresas de fachada para evadir impostos entre 2013 e 2015, com fraude estimada em mais de R$ 100 milhões.

Defesa de Flávio nega irregularidades

Em nota oficial, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o escritório do senador firmou contrato de assessoria jurídica com a BR Global (nome fantasia da Contábil Correa), empresa que atende mais de 200 clientes. Segundo a defesa, Flávio foi consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen, mas a contratação não avançou, razão pela qual as notas foram canceladas e nenhum valor foi recebido da Copenhagen.

Confira Nota Oficial de Flávio Bolsonaro:

Diante de tentativas de vincular falsamente meu nome ao Banco Master, esclareço o que segue:

Firmei contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contabil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo.

Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram cancelas. Ou seja, estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa.

Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, contra quem lhe der causa.
Por fim, como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa. Conduta gravíssima, ilegal que será objeto de representação aos órgãos competentes para responsabilização dos autores.”

Flávio Bolsonaro Emite Nota Oficial à Imprensa – Foto Reprodução

Até o momento, a nota foi enviada diretamente aos jornalistas e não foi publicada como um post fixo ou link oficial nas redes sociais do senador (@flaviobolsonaro no X ou Instagram), embora ele costume usar essas plataformas para rebater acusações.

O senador nega ter conhecimento de qualquer vinculação entre a BR Global, a Copenhagen e o Banco Master, e afirma que qualquer tentativa de associá-lo ao banco é “capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático”. A nota também sugere que houve vazamento ilegal de dados fiscais sigilosos por órgãos governamentais com fins eleitoreiros, e promete medidas judiciais.

Contador admite contratação, mas diz não lembrar de detalhes

Ao Metrópoles, Rogério Lourenço Novo admitiu ser o dono da Copenhagen desde setembro de 2025 e disse ter contratado o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços aos clientes de sua contabilidade, num esquema de “quarteirização”. Perguntado para quais clientes Flávio prestou serviço, o contador afirmou que tem mais de 200 clientes e não se lembra nem para quem nem o que foi feito. Ele pediu tempo para buscar as informações, mas não retornou à ligação.

Rogério Lourenço Novo, diretor da Copenhagen | Foto: Divulgação

Histórico:

Rogério Lourenço Novo Já foi investigado por esquema de notas fiscais falsas para evasão de impostos (estimado em R$ 100 milhões) envolvendo a Ambipar. Atualmente é conselheiro fiscal da Ambipar e diretor da Copenhagen.

A revelação ocorre dias antes da convenção do PL, marcada para 25 de julho, que deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Fonte: Portal Metrópoles

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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