Eleições 2026

Ministros do STF classificam como ‘graves’ e ‘absurdas’ declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

O TSE já desmentiu fala de Flávio de que as eleições utilizam urnas eletrônicas de empresa Smartmatic. Em seu site, o TSE esclarece que as urnas não são fornecidas pela empresa.

Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reagiram com forte indignação às declarações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião com diplomatas estrangeiros. Reservadamente, magistrados classificaram os ataques do parlamentar ao sistema eletrônico de votação como “graves” e “absurdas”, avaliando que a conduta reprisa o mesmo roteiro adotado por seu pai, Jair Bolsonaro, para colocar em xeque a integridade do processo eleitoral e deslegitimar previamente o pleito.

Em declaração pública ao blog do jornalista Valdo Cruz, o ministro Gilmar Mendes destacou que “essas colocações do senador Flávio Bolsonaro são graves e absurdas. Nosso sistema eleitoral é totalmente confiável”, ressaltando que recorrer a teses externas para semear dúvidas sobre as urnas representa uma interferência indevida na soberania das instituições brasileiras.

Reunião com Diplomatas

O descontentamento da Corte ocorreu após Flávio Bolsonaro reunir embaixadores e representantes diplomáticos em Brasília. Durante o evento, transmitido ao vivo pela TV Brasil, o senador levantou suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas ao citar supostos relatórios da inteligência americana e associar o sistema brasileiro à empresa de tecnologia Smartmatic — informação reiteradamente desmentida pela Justiça Eleitoral.

O TSE reforçou publicamente que a Smartmatic não fornece nem nunca forneceu as urnas eletrônicas utilizadas no país. A empresa apenas prestou serviços pontuais de suporte técnico no passado e foi derrotada no processo licitatório para a fabricação dos equipamentos em 2020.

Para contornar o desgaste imediato após a repercussão negativa, a equipe do pré-candidato divulgou uma nota alegando que o senador não coloca em dúvida o sistema eleitoral e que sua fala teve como objetivo único sugerir o envio da “maior quantidade possível de observadores internacionais” para acompanhar as eleições.

Consequências Jurídicas

No ambiente do Judiciário, o movimento foi interpretado como uma provocação calculada ao STF e ao TSE em pleno início de pré-campanha. A estratégia rememora a fatídica reunião convocada por Jair Bolsonaro com embaixadores no Palácio da Alvorada em julho de 2022 — episódio que culminou no julgamento e na posterior condenação do ex-presidente pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível.

Analistas políticos e ministros observam que a reaparição do discurso contundente contra o sistema eletrônico surge em um momento delicado para a pré-campanha do parlamentar do PL, marcada por atritos internos na oposição, dificuldades nas negociações de alianças e recusas de nomes de peso para compor a chapa como vice. Dirigentes partidários da base do governo e do centro já articulam representações junto ao Tribunal Superior Eleitoral para apurar se a conduta de Flávio configura propaganda antecipada irregular e ataque coordenado às instituições democráticas.

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Kaio Alves
Sobre o autor

Kaio Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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