Economia

Conselho aprova aumento da mistura de etanol na gasolina para 32% em meio a Guerra no Oriente Médio

Por Kaio Alves • 16 de julho de 2026

Medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. Segundo Ministério de Minas e Energia, adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês necessidade de importação de gasolina.

Em uma decisão histórica para o setor de biocombustíveis e para a matriz energética nacional, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento do percentual obrigatório de mistura de etanol anidro na gasolina, que passará dos atuais 30% para 32%.

A medida faz parte do pacote de transição ecológica do governo federal e visa reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, além de mitigar a emissão de gases de efeito estufa no setor de transportes.

O impacto nos Motores

O anúncio dividiu opiniões entre produtores de biocombustíveis, distribuidoras e entidades de defesa do consumidor. O principal ponto de discussão técnica gira em torno do comportamento dos motores flex e, especialmente, dos veículos movidos exclusivamente a gasolina.

Especialistas apontam que:

A elevação da mistura para 32% consolida o Brasil como um dos líderes globais em descarbonização da frota rodoviária, aproveitando a gigantesca capacidade de produção de cana-de-açúcar e milho do setor sucroenergético. Como o etanol possui um poder calorífico menor do que a gasolina pura (cerca de 30% menos energia por litro), uma mistura mais rica em álcool pode resultar em uma leve perda de rendimento e aumento no consumo de combustível por quilômetro rodado. A viabilidade econômica da medida dependerá do comportamento dos preços do etanol nas usinas. Se o biocombustível estiver competitivo, o aumento da mistura pode ajudar a amortecer flutuações de preço da gasolina no mercado internacional; caso contrário, pode encarecer o produto final para o consumidor.

Implementação Gradual

Para evitar desabastecimento ou gargalos logísticos nas refinarias e bases de distribuição, o CNPE estabeleceu um cronograma de transição. As distribuidoras de combustíveis terão um prazo de adequação antes que a fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passe a cobrar o novo índice de 32% de forma integral.

A indústria automobilística, representada pela Anfavea, informou que monitora a mudança e garante que a frota flex brasileira está amplamente preparada para absorver a nova proporção sem danos mecânicos, embora recomende atenção redobrada à manutenção de veículos importados ou mais antigos projetados estritamente para gasolina pura.

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Kaio Alves
Sobre o autor

Kaio Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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