Uma denúncia de forte impacto colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de uma nova tempestade. O ex-deputado federal Julian Lemos, que foi um dos principais articuladores e coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro em 2018, afirmou em entrevista que o filho “01” do ex-presidente acumulou um patrimônio estimado entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões.
A acusação levantou suspeitas imediatas sobre a evolução patrimonial do parlamentar, reacendendo debates sobre a transparência de seus negócios e movimentando a oposição no Legislativo.
Revelações de um ex-coordenador
Julian Lemos disse no podcast Paraíba, que rompeu com o clã bolsonarista ainda no início do mandato anterior, relatou que o senador teria atuado intensamente nos bastidores durante o governo do pai para estruturar seus negócios. De acordo com o ex-aliado, o crescimento dessa fortuna estaria ligado a investimentos estratégicos e transações financeiras sob suspeita.
A quantia impressiona quando comparada ao histórico de declarações oficiais do parlamentar:
Na última eleição em que disputou uma vaga para o Senado, em 2018, Flávio Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio total de R$ 1,7 milhão em bens.
A disparidade entre o valor declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a estimativa de R$ 600 milhões apontada por Lemos foi rapidamente explorada por adversários políticos. Parlamentares de oposição ironizaram o suposto enriquecimento rápido e cobraram explicações públicas do senador.
O Fator “Dark Horse”
Segundo o relato de Julian Lemos, parte das operações financeiras atribuídas ao senador envolveria o envio de recursos ao exterior, sob a justificativa de financiar produções e projetos de comunicação — incluindo o documentário internacional Dark Horse, produzido sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A suspeita levantada por críticos e opositores é de que esses investimentos sirvam como uma cortina de fumaça para remessas ilegais e ocultação de bens fora do país.
A evolução financeira do senador já vinha sendo acompanhada de perto pela opinião pública desde a compra de uma mansão de R$ 5,97 milhões em um bairro nobre de Brasília, em 2021. Na época, Flávio justificou a aquisição afirmando que os recursos eram fruto de sua atuação privada como advogado e de investimentos imobiliários anteriores.
Desdobramentos
Até o momento, a assessoria e a defesa do senador Flávio Bolsonaro tratam as acusações de Julian Lemos como narrativas infundadas e ataques de cunho estritamente político, sem qualquer comprovação documental. O parlamentar reforça que suas finanças são totalmente regulares e compatíveis com seus rendimentos declarados à Receita Federal.
Contudo, a repercussão da entrevista pressiona a cúpula do PL no momento em que o partido desenha as suas estratégias para as eleições presidenciais de 2026. O debate sobre a integridade fiscal dos herdeiros políticos do ex-presidente promete continuar como um dos principais pontos de atrito entre o governo e a oposição nos próximos meses.

