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Brasil Negocia Compra de Mais 20 Caças Gripen da Suécia com Produção em Solo Nacional

Por Luiz Gomes • 5 de junho de 2026

O Brasil assinou nesta quinta-feira (4) um acordo de intenções com a Suécia para a potencial compra de 20 novos caças do modelo Gripen E e F, da fabricante Saab. A informação foi confirmada pelo ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, durante coletiva de imprensa em Estocolmo ao lado do ministro da Defesa brasileiro, José Múcio.

Aeronaves Seriam Fabricadas no Brasil com Transferência de Tecnologia

As aeronaves seriam fabricadas no Brasil, dentro da estratégia de transferência de tecnologia já iniciada em 2023. Naquele ano, a Embraer e a Saab lançaram a primeira linha de produção do Gripen no Brasil, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

O governo brasileiro descreve o programa como chave para a redução da dependência externa na área de defesa. Em março deste ano, foi apresentado o primeiro caça produzido em território nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da cerimônia e classificou o momento como “histórico”. “Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou Lula na ocasião.

Avião Gripen, da Saab Imagem: Saab/ Divulgação

Saab Criará Centro de Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil

Como parte do aprofundamento da cooperação, a Saab estabelecerá uma unidade de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. A declaração conjunta assinada pelos dois países destaca ainda a criação de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e exploração de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, manutenção e melhoria dos caças Gripen.

O governo brasileiro estima que o programa Gripen gere cerca de 13 mil empregos, incluindo 2,2 mil diretos e 10,8 mil indiretos, além do fortalecimento da capacidade de defesa e do incremento tecnológico.

Primeiro Acordo de 2014 Prevê 36 Caças com Entregas até 2027

Brasil e Suécia já haviam assinado em 2014 um acordo avaliado em US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 23 bilhões na época) para a aquisição de 36 caças Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os primeiros jatos do contrato original já foram entregues, e o restante deve ser entregue até 2027.

Em 2014, quando o primeiro acordo foi firmado, o Gripendesbancou concorrentes como o F-18 Super Hornet (da Boeing, dos EUA) e o Rafale (da Dassault Aviation, da França). O presidente Lula chegou a ser acusado de favorecer a fabricante sueca anos depois, mas o processo contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) foi suspenso em 2022.

Em 2024, o Departamento de Estado dos Estados Unidos intimou a Saab a prestar informações sobre o negócio brasileiro.

Compra Adicional Coincide com Bloqueio de R$ 4,3 Bilhões na Defesa

O anúncio da potencial compra adicional de 20 caças ocorre em meio a um contingenciamento orçamentário que afeta o Ministério da Defesa. O governo federal anunciou na semana passada um bloqueio de R$ 23,7 bilhões no Orçamento de 2026, com a pasta da Defesa sendo a mais impactada, com cortes de R$ 4,363 bilhões.

O ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, não quis especificar o valor da nova operação e ressaltou que “é algo que ainda deve ser discutido” entre o Brasil e a Saab. O preço dos 20 caças adicionais ainda não foi divulgado.

Novos Caças Podem ser Destinados ao Mercado Latino-Americano

A segunda fase da cooperação entre Brasil e Suécia prevê que a produção das aeronaves em solo nacional também mire o mercado da América Latina, com potencial para exportação dos caças fabricados no Brasil para outros países da região.

Os caças Gripen são usados para treinamento de pilotos e mecânicos e podem atuar em operações aéreas de defesa. A Saab apresentou durante a visita de Múcio à Suécia o primeiro Gripen F, uma versão de dois lugares do jato desenvolvida especialmente para o Brasil.

O acordo de intenções assinado nesta quinta-feira (4) ainda depende de negociações comerciais entre o governo brasileiro e a Saab para definição de valores e prazos. O Ministério da Defesa brasileiro deverá submeter a proposta à análise do Congresso Nacional, uma vez que envolve aquisição de material bélico e comprometimento do orçamento da União. Os primeiros caças da nova encomenda, se confirmada, devem ser produzidos na fábrica de Gavião Peixoto (SP) nos próximos anos.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.