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Alex Saab se declara culpado de lavagem de dinheiro nos EUA e aceita entregar US$ 195 milhões

Ex-ministro da Indústria da Venezuela e apontado como testa de ferro de Nicolás Maduro firmou acordo de colaboração com a Justiça americana; pena pode chegar a 20 anos, com sentença prevista para janeiro de 2027

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O empresário colombiano Alex Saab, ex-ministro da Indústria da Venezuela e apontado como testa de ferro de Nicolás Maduro, declarou-se culpado nesta terça-feira (15) de conspiração para lavagem de dinheiro perante a Justiça dos Estados Unidos. A confissão foi feita em audiência na corte federal do Distrito Sul da Flórida, em Miami, diante da juíza Kathleen Williams, e faz parte de um acordo de colaboração com o Departamento de Justiça americano.

Saab havia se declarado inocente em 24 de julho, mas mudou sua posição após negociar o acordo com os promotores. “Culpado, meritíssima”, afirmou o empresário, de 54 anos, no tribunal.

Alex Saab ao lado de Nicolás Maduro em janeiro de 2024 — Foto: Federico Parra/AFP

Acordo prevê entrega de US$ 195 milhões

Como parte do acordo de delação premiada, Saab aceitou entregar **US$ 195 milhões** (cerca de R$ 1 bilhão) considerados pelas autoridades americanas como produto do esquema de corrupção. Ele também se comprometeu a cooperar plenamente com as investigações federais em andamento nos Estados Unidos, fornecendo informações e documentos.

O documento do acordo, de 12 páginas, estabelece que Saab deverá revelar todos os ativos relacionados aos crimes em um prazo de 14 dias. A acusação de conspiração para lavagem de dinheiro prevê pena máxima de 20 anos de prisão e multa de US$ 500 mil. Os procuradores concordaram em recomendar uma pena na parte inferior da faixa prevista, podendo pedir novas reduções caso a cooperação seja considerada relevante. A sentença definitiva está prevista para janeiro de 2027.

Esquema de corrupção no programa CLAP

Segundo as autoridades americanas, Saab utilizou suas conexões com altos funcionários do governo Maduro para vencer contratos ligados ao programa Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP) , que distribui alimentos para famílias venezuelanas, por meio de suborno. Parte do dinheiro teria sido desviado para contas bancárias em território americano.

Os investigadores afirmam que pelo menos US$ 195 milhões foram retirados de seis contratos controlados por Saab. O esquema teria utilizado empresas de fachada, documentos falsos e pagamento de propinas a funcionários públicos. Posteriormente, as operações se expandiram para negócios relacionados à estatal petrolífera venezuelana PDVSA.

Em sua declaração, Saab admitiu que em 2015, quando Maduro era presidente, organizou com “altos funcionários do Governo” um “esquema ilegal” com “sobornos” e “pagos ilegales” do programa CLAP, com transferências de dinheiro para o sul da Flórida.

Nomes citados no acordo

O documento judicial identifica nominalmente quatro pessoas relacionadas ao caso:

  • Álvaro Pulido Vargas — apontado como sócio histórico de Saab
  • José Gregorio Vielma Mora — ex-governador do estado Táchira, do partido chavista
  • Emmanuel Enrique Rubio González
  • Carlos Rolando Lizcano

Além desses, o acordo menciona dois suspeitos identificados apenas como “co-acusado 1” e “co-acusado 3”, cujos nomes não foram divulgados publicamente pela Promotoria. O texto não menciona Nicolás Maduro diretamente, mas faz referência a “altos funcionários do Governo venezuelano” em 2015.

Segundo a agência EFE, o empresário teria se comprometido a oferecer informações sobre “altos funcionários venezuelanos”, o que abre a possibilidade de que seu testemunho possa ser usado em investigações que envolvem integrantes do alto escalão do regime chavista.

Trajetória de Alex Saab

Nascido na Colômbia, Alex Saab foi uma figura ativa na política venezuelana durante os últimos anos da Presidência de Hugo Chávez (1999-2013). Foi supostamente graças a suas atividades como testa de ferro de Maduro e encarregado de operações de lavagem de dinheiro que recebeu a cidadania venezuelana e um passaporte diplomático.

Saab foi alvo de sanções americanas pela primeira vez em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump. Em 2020, foi detido em Cabo Verde durante uma escala para abastecimento de seu avião — na época, o governo venezuelano afirmou que ele estava em uma missão humanitária a caminho do Irã. Ele foi extraditado para os Estados Unidos em 2021 e permaneceu detido até dezembro de 2023, quando foi libertado em uma troca de prisioneiros negociada pelo governo de Joe Biden em troca da libertação de vários americanos presos na Venezuela.

Após o retorno a Caracas, Maduro nomeou Saab ministro da Indústria em 2024. Ele permaneceu no cargo até janeiro de 2026, quando foi destituído pela presidente interina Delcy Rodríguez, logo após a captura de Maduro por forças armadas americanas em Caracas, em 3 de janeiro. Saab foi preso em fevereiro pelo serviço de inteligência venezuelano, em operação em parceria com o FBI, e deportado para os EUA em 16 de maio — quatro meses antes de sua confissão.

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Conexão com o caso Maduro

O caso de Saab está estreitamente ligado ao do ex-presidente Nicolás Maduro e da ex-primeira-dama Cilia Flores , que tramita em uma corte em Nova York após a captura do casal em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, por forças armadas americanas. Maduro é acusado de narcotráfico, entre outros crimes.

A colaboração de Saab com a Justiça americana pode abrir caminho para novas informações sobre o suposto esquema de corrupção na Venezuela e sobre as relações do chavismo com o crime organizado. A expectativa das autoridades é que o empresário possa se tornar uma testemunha importante em investigações envolvendo integrantes do regime.

A sentença de Alex Saab está prevista para janeiro de 2027. A pena final dependerá do grau de colaboração do empresário com as autoridades americanas. Os procuradores se reservam o direito de avaliar a “natureza e o alcance” da cooperação de Saab e a “qualidade e importância” das informações fornecidas para as investigações. O acordo não permite que Saab se retrate de sua confissão.

Referências

UOL / AFP — Alex Saab, ex-aliado de Maduro, se declara culpado de lavagem de dinheiro nos EUA.

Folha de S.Paulo — Ex-ministro da Venezuela aliado de Maduro se declara culpado por lavar dinheiro nos Estados Unidos.

Metrópoles — “Testa de ferro” de Maduro se declara culpado em julgamento nos EUA.

BBC News Mundo — El empresario colombiano Alex Saab, aliado clave de Nicolás Maduro, se declara culpable de lavado de dinero y entregará US$195 millones a EE.UU.

Nota editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem o acordo de delação premiada firmado entre Alex Saab e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, homologado em audiência na corte federal do Distrito Sul da Flórida em 15 de setembro de 2026, e reportagens de veículos de imprensa. A confissão de Saab é um fato confirmado, mas as acusações contra os demais citados, incluindo os quatro nomes mencionados no acordo, são objeto de investigação e não constituem condenação. O acordo não menciona Nicolás Maduro diretamente, mas faz referência a “altos funcionários do Governo venezuelano”. A sentença definitiva está prevista para janeiro de 2027 e dependerá do grau de colaboração do empresário. As defesas dos citados não foram localizadas até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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