Em um forte pronunciamento no plenário do Senado Federal, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), negou categoricamente ter recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A reação do parlamentar ocorre após uma reportagem da Revista Veja revelar que Vorcaro teria mencionado a suposta transferência internacional a favor de Alcolumbre durante tratativas para um acordo de delação premiada.
Segundo a publicação, o montante teria sido repassado para uma conta no exterior como contrapartida a uma articulação política do senador em benefício dos interesses do banco. Vorcaro está preso em Brasília e tenta formalizar um acordo de colaboração premiada com a Justiça, embora já tenha tido duas propostas recusadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Invenção de um fato inexistente”
Classificando as acusações como falsas e uma clara tentativa de intimidar e constranger o presidente do Poder Legislativo, Alcolumbre garantiu que provará a inconsistência do relato.
“É espantoso e revoltante que uma acusação dessa gravidade seja publicada sem qualquer prova, sem qualquer evidência, contra um chefe de Poder”, declarou o senador. “A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional?”
O presidente do Senado fez ainda um alerta institucional: caso as declarações sequer constem nos documentos oficiais levados à PF ou à PGR pelos advogados do ex-banqueiro, o cenário ganha contornos ainda mais graves. “Estaremos diante da invenção de um fato inexistente e da tentativa de atribuir esse fato a um procedimento oficial para lhe conferir aparência de verdade”, pontuou.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Blindagem partidária no plenário
Logo após o término do discurso, senadores de correntes políticas opostas — da base do governo à oposição — formaram um bloco de apoio a Alcolumbre, criticando o vazamento e a falta de base probatória das denúncias.
O ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), endossou a fala do colega e subiu o tom, definindo a estratégia por trás do episódio como um “expediente mafioso” e de “gangsterismo”, caso o fato tenha sido puramente inventado para pressionar o Congresso através da imprensa.
Na mesma linha, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), destacou que qualquer acusação exige um “lastro probatório mínimo”, manifestando a indignação de todo o parlamento. Pela oposição, o senador Esperidião Amin (PP-SC) apontou que o episódio reflete um ataque sistemático direcionado ao Poder Legislativo originado de setores que orbitam as negociações jurídicas sob a gerência do Judiciário.

