No coração da vibrante atmosfera da 30ª Parada LGBT+ de São Paulo, duas tonalidades ganharam evidência neste domingo (7): o verde e o amarelo. A multidão marcou presença em peso, ostentando símbolos nacionais em uma manifestação de oposição ao bolsonarismo e de apoio antecipado ao time do país no Mundial de Futebol.
Ainda que a coordenação do desfile não tenha feito nenhuma solicitação oficial, diversos coletivos e cidadãos decidiram adotar os tons da bandeira por iniciativa própria, protestando contra a ala bolsonarista que havia se apropriado dessa simbologia. No ciclo passado, o chamamento para vestir verde e amarelo já carregava esse mesmo viés ideológico.
“Me posiciono totalmente no espectro da esquerda. Contudo, os militantes de direita costumam se apropriar das cores nacionais nos finais de semana como plataforma política. Desse modo, optei por trajar verde e amarelo hoje para reconquistar esse privilégio, que pertence a cada cidadão do nosso país”, argumentou Thauan Libarino, que atua na promoção de eventos.
Na visão de Libarino, a Parada LGBT+ funciona como um espaço para que a comunidade demonstre amor-próprio e dignidade. “Carrego grande orgulho da minha nacionalidade e das nossas manifestações culturais. Teria a opção de comparecer coberto de purpurina e acessórios chamativos, porém fiz a escolha de me apresentar com estas vestes.”
Com a proximidade do torneio mundial, a massa presente na caminhada também buscou externar seu afeto pela equipe de futebol. O esquadrão brasileiro fará sua primeira partida enfrentando o Marrocos, pela etapa classificatória, no sábado seguinte (13), em território nova-iorquino. “Vesti o verde e amarelo em virtude do campeonato de futebol. Sou um grande entusiasta. Julgo fundamental evidenciar o carinho pela nossa pátria e pelo nosso elenco esportivo”, declarou o acadêmico Kelven Lucas, que tem 21 anos de idade.

Parada LGBT+ 2026. Foto: Fotoarena/Folhapress
Discursos Políticos e Atrações Artísticas na Avenida
A 30ª edição da marcha iniciou suas atividades na Avenida Paulista no período matutino, pautada por pronunciamentos contrários aos setores ultraconservadores, questionamentos sobre a redução de investimentos comerciais na festividade e incentivo ao voto em chapas que apoiem as pautas da diversidade de gênero e orientação sexual.
O encontro registrou, do mesmo modo, o comparecimento de parlamentares e postulantes a cargos públicos alinhados à esquerda.
O lema adotado para este ciclo é “A Rua Convoca, a Urna Confirma”. O principal caminhão de som abrigou falas contundentes da congressista federal Sâmia Bomfim (PSOL), além dos parlamentares da Assembleia Legislativa Eduardo Suplicy, Beth Sahão (filiados ao PT) e Mônica Seixas (PSOL).
A marcha composta por 14 veículos sonoros — o que representa uma diminuição de quatro estruturas em comparação ao ano anterior — teve sua largada às 10h, ocupando a Avenida Paulista e seguindo posteriormente pela via da Consolação.
No cardápio de entretenimento musical, a celebração apresenta performances de artistas renomados como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Thiago Pantaleão e Melody.

