Agronegócio

União Europeia suspende importação de carne do Brasil a partir de setembro por falta de controle sobre antimicrobianos

Pecuaristas buscam novos mercados

A União Europeia interromperá, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos de origem animal do Brasil, incluindo carne bovina, frango e mel, por considerar insuficiente o controle do país sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão, anunciada em maio, não foi motivada por irregularidades encontradas nos produtos brasileiros, mas pela avaliação do bloco sobre as regras sanitárias do Brasil.

O bloco é destino de apenas 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, mas a medida tem impacto simbólico significativo, pois atender aos padrões europeus é considerado um selo de qualidade que abre portas em mercados como Japão e Coreia do Sul. Segundo o presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, André Bartocci, a retomada das exportações para a Europa pode levar até dois anos, devido ao ciclo de produção dos animais.

“A Europa disse que não volta a comprar carne do Brasil antes de 2 anos”, afirmou Bartocci, explicando que o período está ligado ao ciclo de vida do boi: um animal que começar a seguir novos protocolos hoje levaria cerca de 24 meses para ficar pronto dentro dos novos padrões.

Pecuária e contagem regressiva

Pecuaristas de Mato Grosso do Sul, como Rafael Asato, que destinam 100% do rebanho ao mercado europeu, correm contra o tempo para exportar antes do veto. “Se eu conseguir vender os animais para o frigorífico até 21 de agosto, ainda recebo o prêmio pago pelo boi padrão Europa”, afirma Asato.

Sem expectativa de reversão, os produtores buscam alternativas: redirecionar a produção para os Estados Unidos, aproveitar cotas com a China ou voltar-se ao mercado interno. Alguns cogitam até abandonar os protocolos de rastreabilidade europeus, caso não haja compensação financeira.

O veto ocorre em meio à entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, e representantes do setor veem a medida como protecionismo. “A gente acredita que é algo parecido com o que aconteceu com a China. É uma questão política, é um protecionismo dos produtores”, afirma Asato.

Frango e mel também serão afetados

No caso do frango, a ABPA espera reverter o bloqueio após visita de missão europeia ao Brasil no fim de agosto, mas a análise dos relatórios deve ocorrer apenas em novembro. Já as exportações de mel, que dobraram no primeiro semestre, também sofrerão impacto. A perda estimada com a proibição pode superar US$ 500 milhões.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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