A Ucrânia lançou o maior ataque contra a capital russa desde o início da guerra em larga escala em 2022, na quarta-feira (17) e quinta-feira (18). Cerca de 200 drones atingiram alvos nos arredores de Moscou, incluindo a refinaria de petróleo de Kapotnya, que pegou fogo pela terceira vez em um mês, provocando uma “chuva de óleo preto” sobre parte da cidade.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado e destruído quase 1.000 drones e quatro mísseis de cruzeiro ucranianos em todo o país em 24 horas. De acordo com o governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, 17 pessoas ficaram feridas. Um depósito de petróleo na região sul de Rostov também foi atingido, com uma morte registrada.
Zelensky: “Moscou vai queimar se ataques continuarem”

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o ataque em larga escala foi uma resposta ao bombardeio russo da semana passada contra Kiev, que incendiou um marco religioso da capital ucraniana e matou dez pessoas.
“Não queremos esta guerra e nunca a quisemos”, disse Zelensky em mensagem de voz. “Mas se a Ucrânia queimar, Moscou também vai queimar.” O presidente ucraniano usou o termo “sanções de longo alcance” para se referir aos ataques com drones, um eufemismo adotado por Kiev para suas operações de longa distância.
Moradores do sudeste de Moscou relataram uma “garoa de óleo preto” que deixou manchas em roupas, carros e casas após a explosão na refinaria de Kapotnya. Vídeos verificados mostram a tampa de um grande tanque de armazenamento sendo lançada dezenas de metros para o alto pela força da explosão.
“Chuva preta” atinge Moscou e aeroportos fecham
As autoridades de Moscou negaram a “chuva de óleo”, mas emitiram alertas à população, orientando moradores a manterem janelas fechadas e pedindo que famílias com crianças, idosos e asmáticos deixassem a área com urgência.
Os quatro aeroportos de Moscou foram temporariamente fechados durante os ataques, e mais de 500 voos foram cancelados ou sofreram atrasos. Um shopping center próximo à refinaria também pegou fogo, supostamente após destroços de um drone atingirem o prédio. Vários edifícios residenciais altos foram evacuados.

Moradores de Moscou registram chuva de óleo preto após ataque ucraniano a refinaria
Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Ataques com drones a Moscou se tornam mais frequentes
Moscou está situada a cerca de 500 km da fronteira ucraniana. Os primeiros ataques bem-sucedidos com drones chegaram à capital russa na primavera de 2023, mas eram esporádicos e envolviam pequeno número de aeronaves. Desde então, a quantidade de drones utilizada pela Ucrânia aumentou significativamente, e alguns conseguiram atravessar extensos sistemas de defesa aérea instalados ao redor de Moscou.
Segundo Robert Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, “entre 1,5 mil e 2 mil km dentro do território russo já não existe a ‘retaguarda pacífica’.” As forças de Brovdi representam apenas 2% do exército ucraniano, mas são responsáveis por um terço de todos os alvos destruídos.
Segundo Robert Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, “entre 1,5 mil e 2 mil km dentro do território russo já não existe a ‘retaguarda pacífica’.” As forças de Brovdi representam apenas 2% do exército ucraniano, mas são responsáveis por um terço de todos os alvos destruídos.
Reações e próximos passos
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, AndriiSybiha, publicou no X: “Uma das perguntas mais frequentes feitas pelos moradores de Moscou esta manhã é: ‘O que está acontecendo?’ Eu posso responder. O seu país iniciou uma guerra de agressão contra o nosso. Agora que vocês sabem o que está acontecendo, perguntem a Putin quando ele pretende acabar com isso.”
O presidente russo, Vladimir Putin, que recebe líderes do Sudeste Asiático para uma cúpula em Kazan, não comentou o ataque. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que a Rússia “realizaria ataques simultâneos de maneira regular” contra a Ucrânia. Durante a noite seguinte ao ataque a Moscou, a Rússia lançou mais de 200 drones e vários mísseis balísticos contra a Ucrânia.

