Economia

Trump impõe tarifa de 50% sobre produtos do Canadá, elevando tensões comerciais na América do Norte às vésperas de taxas contra o Brasil entrarem em vigor

Por Luiz Gomes • 21 de julho de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva nesta segunda-feira (20) que impõe uma tarifa adicional de 50% sobre uma ampla gama de produtos importados do Canadá, em retaliação ao que o governo americano classificou como “tratamento discriminatório” contra seus produtos nos setores automotivo, de laticínios e de bebidas alcoólicas. A medida entra em vigor em 19 de agosto e atinge itens como vinhos, tacos de hóquei, cimento, roupas e móveis, mas exclui energia, potássio, minerais críticos e pescado.

A decisão foi tomada com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, que permite a aplicação de tarifas de até 50% sobre importações de países considerados discriminatórios contra a indústria dos EUA. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o Canadá “continua a retaliar contra os Estados Unidos por seus esforços para reequilibrar o comércio e proteger a indústria norte-americana”.

EUA acusam Canadá de discriminação em três setores

No documento que oficializa a medida, Trump afirma que o Canadá adota um sistema tarifário que prejudica exclusivamente os veículos americanos, enquanto concede tratamento mais favorável a outros países. Segundo a proclamação, as exportações de automóveis dos EUA para o Canadá caíram cerca de 22% entre abril de 2025 e março de 2026.

No setor de laticínios, a disputa é antiga. Os EUA criticam o sistema canadense de gerenciamento de oferta, que limita as importações estrangeiras — produtos que ultrapassam esses limites podem sofrer tarifas superiores a 300%. Já no setor de bebidas, Washington aponta que províncias canadenses suspenderam a compra e venda de bebidas alcoólicas americanas, medida que não foi aplicada a outros países.

A Casa Branca afirmou que as importações canadenses de veículos dos EUA caíram 22%, enquanto as de bebidas alcoólicas americanas diminuíram 81% no último ano. “Ao longo do último ano e meio, apenas dois países optaram por retaliar contra as tarifas do presidente Trump em vez de negociar um acordo com os Estados Unidos: a República Popular da China e o Canadá”, disse o comunicado.

Canadá diz estar pronto para “intensificar” negociações

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, respondeu à medida afirmando que o Canadá está pronto para “intensificar” as negociações comerciais com os Estados Unidos nas próximas semanas. Em comunicado, Carney afirmou que a nova tarifa é “a mais recente de uma série de medidas comerciais unilaterais dos Estados Unidos, iniciada quando o país impôs uma série de tarifas em violação direta ao Acordo entre Canadá, Estados Unidos e México” (USMCA).

Carney também mencionou “ameaças à soberania canadense”, em referência às declarações de Trump defendendo que o Canadá se tornasse o 51º estado americano. O premiê afirmou que o Canadá reconhece que os EUA vêm mudando suas relações comerciais nos últimos 18 meses e que apresentou diversas propostas para resolver a disputa e modernizar o USMCA.

Candace Laing, presidente da Câmara de Comércio do Canadá, classificou a medida como uma “decisão lamentável”, mas pediu que os governos façam “avanços significativos” nas negociações antes da entrada em vigor das novas tarifas.

Tarifaço contra o Brasil entra em vigor em 22 de julho

A escalada contra o Canadá ocorre às vésperas da entrada em vigor, no próximo dia 22 de julho, da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na semana passada pelo governo Trump. A medida é resultado de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que alega que o Brasil adota práticas “injustas” como o sistema de pagamentos PIX, a regulação de plataformas digitais e supostas falhas no combate ao desmatamento.

A tarifa de 25% atinge produtos como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel e açúcar orgânico, enquanto itens como carne bovina, café, petróleo, suco de laranja e aeronaves civis ficaram isentos. O governo brasileiro afirmou que vai iniciar os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A nova tarifa sobre o Canadá soma-se a outras barreiras comerciais já existentes, como as tarifas de 15% a 50% sobre aço, alumínio e cobre canadenses, a tarifa de 35% sobre madeira serrada e a taxa de 25% sobre peças automotivas não fabricadas nos EUA.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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